
Centenas de cristãos foram detidos na cidade de Wenzhou, na província de Zhejiang, após uma grande operação policial na região de Yayang. Segundo a organização China Aid, que monitora denúncias de perseguição religiosa no país, mais de mil agentes, incluindo equipes da SWAT e forças antimotim, participaram da ação entre os dias 13 e 17 de dezembro. Moradores relataram que fogos de artifício chamaram atenção na praça do governo e serviram como distração enquanto as prisões aconteciam.
De acordo com os relatos, policiais bloquearam acessos à igreja conhecida como “Assembleia de Yayang” e realizaram prisões em massa. Fiéis foram levados para interrogatórios e pertences teriam sido apreendidos. A operação também incluiu controle rígido das redes sociais, com a remoção de postagens que denunciavam as detenções e buscas em residências. As autoridades locais não divulgaram números oficiais sobre presos ou acusações.
Os principais alvos seriam dois líderes religiosos da comunidade, Lin Enzhao, de 58 anos, e Lin Enci, de 54. Cartazes com fotos dos dois foram espalhados na cidade, classificados pelo governo como envolvidos em “organização criminosa”, com recompensa por informações. Lin Enzhao já era procurado há mais de dez anos por ter se recusado a aceitar a retirada de uma cruz de uma igreja e a colocação da bandeira do Partido Comunista. Entre fiéis, ele é visto como defensor dos direitos da igreja.
A região tem histórico de tensão entre autoridades e cristãos desde 2014, quando começou uma campanha de demolição de cruzes e instalação de câmeras de vigilância em templos. A comunidade local é considerada uma das mais organizadas da província e já protagonizou atos coletivos contra essas medidas. Em 2017, houve confronto entre fiéis e policiais durante uma tentativa de instalar equipamentos de vigilância, com registro de feridos.
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