
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, criticou a forma como foi conduzida a inauguração da nova ponte binacional entre Brasil e Paraguai, afirmando que a falta de alinhamento entre os governos deixou um “sabor amargo”. As cerimônias ocorreram de maneira separada nos dois lados da fronteira, evidenciando um ruído diplomático entre os países.
Na sexta-feira (19), o presidente Lula inaugurou sozinho o trecho brasileiro da Ponte da Integração, que liga Foz do Iguaçu a Presidente Franco. Peña participou apenas do evento realizado no sábado (20), após cumprir agenda na cúpula do Mercosul. Segundo a agência EFE, o presidente paraguaio reconheceu que houve responsabilidade compartilhada, mas lamentou a incapacidade das chancelarias de organizar um ato conjunto.
Durante o discurso, Peña chegou a sugerir a troca direta de contatos com Lula para evitar novos desencontros, mencionando a futura inauguração da ponte entre Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Chaco paraguaio. A estrutura faz parte de uma rota estratégica de integração logística do Brasil com os portos do Chile, passando pelo norte da Argentina.
Em resposta às críticas, Lula atribuiu o episódio à burocracia e afirmou que manteve o cronograma para evitar novo adiamento da obra. Batizada de Ponte da Integração Jaime Lerner, a estrutura é a segunda ligação viária entre Brasil e Paraguai na região em mais de 60 anos. Concluída em 2022, a ponte começa a operar de forma gradual após investimentos próximos de R$ 2 bilhões, com recursos de Brasil, Paraguai e da Itaipu Binacional.
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