
A demora fala alto. E, no caso do rombo bilionário no INSS, o silêncio institucional da Advocacia-Geral da União não foi apenas constrangedor, foi politicamente ensurdecedor. O maior escândalo de corrupção da história do Instituto Nacional do Seguro Social veio à tona em abril de 2025, com a deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. Mas só oito meses depois, a AGU resolveu agir contra entidades diretamente envolvidas no esquema. A pergunta é inevitável: por que só agora?
Somente após a pressão pública, o desgaste político e a consolidação das provas, a Advocacia-Geral da União decidiu ajuizar ações contra oito entidades suspeitas de promover descontos ilegais em aposentadorias e pensões, pedindo o bloqueio de até R$ 6,6 bilhões para ressarcimento das vítimas. Entre os alvos, está a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), historicamente ligada ao PT, responsável sozinha por quase metade do total irregular identificado, cerca de R$ 2 bilhões desviados entre 2019 e 2024.
A lista de entidades acionadas inclui ainda Sinab, FITF/CNTT/CUT, Contraf, ASTRE, SindaPB, Unidos e Sintapi-CUT, todas envolvidas em um mesmo padrão: filiações explosivas, autorizações inexistentes e repasses automáticos diretamente na folha do INSS, atingindo mais de 9 milhões de aposentados, muitos deles pobres, vulneráveis e sem qualquer conhecimento dos descontos.
O que torna o episódio ainda mais grave é o fator tempo. As irregularidades já estavam documentadas, os alertas foram dados, as investigações avançaram, mas a AGU, sob o comando de Jorge Messias, preferiu a inércia. A própria instituição admite que houve atraso na inclusão da Contag e de outras entidades nos primeiros lotes de ações, jogando luz sobre uma gestão marcada por omissão seletiva, ou, no mínimo, por conveniência política.
A atuação tardia não apaga a impressão de blindagem. Afinal, trata-se de entidades satélites do campo político que sustenta o governo Lula, muitas com vínculos históricos com a estrutura partidária e sindical do PT. A narrativa oficial de que a AGU age “de forma técnica, sem proteção a ninguém” esbarra em um dado incontornável: quem demora a agir quando o dano é evidente também assume responsabilidade pelo prejuízo continuado.
Enquanto a burocracia protelava, bilhões continuavam a ser sugados diretamente do benefício de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social. Não foi apenas dinheiro público que se perdeu, mas confiança institucional, especialmente entre aqueles que mais dependem do Estado para sobreviver.
A AGU finalmente se mexe. Mas o faz tarde, sob suspeita e pressionada pelos fatos. No maior escândalo do INSS, a pergunta que permanece não é apenas quem roubou, mas quem deixou roubar por tanto tempo, e por quê.
GENERALIZAÇÃO? E o problema da desconfiança?
DEBATE BAND! Analisando o debate?
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