
O conservador José Antonio Kast foi eleito presidente do Chile neste domingo (14) e encerrou quatro anos de governo da esquerda comandada por Gabriel Boric. Com quase 84% das urnas apuradas, Kast obteve cerca de 60% dos votos, contra 40% da candidata governista Jeannette Jara, do Partido Comunista. A diferença abriu cedo e a Justiça Eleitoral chilena tratou a vitória como irreversível. Jara reconheceu a derrota ainda no fim da apuração.
A vitória de Kast consolida uma guinada política no país. Advogado, católico e pai de nove filhos, ele chega ao Palácio de La Moneda após sua terceira tentativa presidencial. Desta vez, suavizou o discurso nos costumes, ampliou o espaço para mulheres na campanha e conseguiu unificar a direita. Fundador do Partido Republicano, Kast se beneficiou do desgaste do governo Boric, que não conseguiu avançar na reforma da Constituição herdada da era Pinochet.
Durante a campanha, Kast explorou o medo da violência e da imigração irregular, temas que hoje lideram as preocupações da população chilena. Prometeu endurecer o combate ao crime, deportar imigrantes em situação irregular e reforçar o controle das fronteiras, inspirado em modelos como o de El Salvador e dos Estados Unidos. Especialistas apontam que a sensação de insegurança cresceu mais rápido que os números reais da criminalidade, mas foi decisiva no voto.

Admirador declarado do ditador Augusto Pinochet, Kast evitou o tema no segundo turno para não perder apoio. Mesmo assim, sua eleição marca o retorno explícito da direita dura ao poder no Chile. Ele assume em março com um Congresso mais favorável e discurso de “governo para todos”, mas analistas avaliam que seu mandato nasce mais do medo da esquerda do que de um apoio irrestrito à sua agenda.
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