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Internacional CORRUPÇÃO PESADA

Ex-presidente de esquerda e aliado de Lula é preso por megaesquema de corrupção na Bolívia

Luis Arce, acusado de desviar milhões do Fundo Indígena, é detido em casa em meio à maior crise política do país em décadas

10/12/2025 às 23h07 Atualizada em 14/12/2025 às 19h47
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O ex-presidente da Bolívia, Luis Arce, foi preso nesta quarta-feira (10) em La Paz, acusado de envolvimento em um esquema de desvio de verbas do Fundo Indígena. A detenção, confirmada pelo governo boliviano, está ligada a repasses de recursos públicos para contas privadas enquanto Arce atuava como ministro da Economia no governo Evo Morales. A ex-deputada Lidia Patty, já presa, teria recebido parte dessas verbas e admitido depósitos em contas pessoais.

A prisão aconteceu pouco mais de um mês depois de Arce deixar o cargo, em meio à pior crise econômica da Bolívia em quatro décadas. Segundo a ex-ministra Maria Nela Prada, que denunciou o caso nas redes sociais, a detenção ocorreu sem mandado judicial e quando o ex-presidente estava sozinho em casa. Ele foi levado para a sede da Força Especial de Luta Contra o Crime Organizado (FELCC). O governo ainda não detalhou oficialmente os motivos da prisão.

O novo presidente, Rodrigo Paz, primeiro líder de direita após 20 anos de domínio da esquerda e o vice Edman Lara elogiaram a ação policial. Lara afirmou que Arce responderia por peculato e que “os corruptos devolverão cada centavo”, chegando a encerrar seu pronunciamento com a frase “morte aos corruptos”. Para o novo governo, Arce seria o primeiro de uma série de alvos a serem responsabilizados por supostos esquemas de corrupção.

As investigações apontam que o Fundo Indígena administrou centenas de milhões de dólares entre 2006 e 2014, mas acumulou irregularidades em mais de mil projetos. Auditorias encontraram obras inexistentes, repasses sem justificativa e pagamentos em contas pessoais. A suspeita é que Arce tenha participado de decisões que permitiram os desvios. O caso reacende o debate sobre corrupção na gestão pública boliviana e aprofunda o racha político entre Arce e Evo Morales, antigos aliados que romperam nos últimos anos.

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