
Em 31 de dezembro de 2023, um helicóptero Robinson R44 que partiu do aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, caiu no município de Paraibuna (SP). Após 12 dias de buscas, a aeronave foi localizada com a ajuda da quebra de sigilo telefônico dos passageiros e do piloto, todos encontrados mortos. Esse método, embora pouco comum, foi fundamental para reduzir a área de busca.
Esse caso motivou a criação de um projeto de lei que visa facilitar a quebra de sigilo em situações de aeronaves desaparecidas, acelerando os resgates e aumentando as chances de encontrar sobreviventes. A proposta, de autoria do deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), tramita no Congresso sob o número 2.252/2024 e busca permitir o acesso a dados de geolocalização de celulares a bordo de aeronaves cuja localização é desconhecida.
Atualmente, o processo de quebra de sigilo telefônico no Brasil é restrito e exige autorização judicial, o que pode atrasar operações de resgate. Aeronaves menores, que não são obrigadas a ter localizadores como o ELT (Transmissor Localizador de Emergência), poderiam se beneficiar do rastreamento dos sinais de celulares, oferecendo uma alternativa mais acessível e eficiente para localizar aeronaves em situações de emergência.
O projeto prevê que autoridades aeronáuticas possam solicitar diretamente à Justiça a quebra de sigilo telefônico, agilizando o processo. A medida busca reduzir a burocracia e facilitar o acesso a informações vitais para o resgate, especialmente em casos de desaparecimento de aeronaves. Isso pode salvar vidas ao encurtar o tempo de resposta das equipes de resgate.
Especialistas defendem que o uso de dados de celulares pode diminuir não apenas o tempo, mas também os custos das operações de busca. Com a localização mais precisa, menos aeronaves e equipes seriam necessárias, além de restringir a área de atuação. No caso do acidente de Paraibuna, a técnica reduziu a área de busca para 12 quilômetros quadrados, acelerando a localização dos destroços.
A proposta tem recebido apoio, inclusive de juízes federais. Um estudo da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) apontou a importância de adequar os procedimentos legais às emergências aéreas, defendendo a agilidade na quebra de sigilo telefônico para salvar vidas e aumentar a eficiência nas operações de resgate.
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