
Com a chegada dos meses mais quentes, cresce o número de motoristas surpreendidos por um carro que simplesmente não liga. A bateria, que parecia funcionar normalmente, perde força de um dia para o outro. Especialistas explicam que isso não é acaso: o calor excessivo se tornou hoje o principal fator de desgaste das baterias automotivas, superando até mesmo o frio, tradicionalmente apontado como vilão.
Um estudo publicado na revista científica Energy Conversion and Management analisou o comportamento das baterias de chumbo-ácido, usadas na maioria dos carros, em altas temperaturas. A pesquisa mostrou que, ao operar em ambientes quentes, a bateria aquece rapidamente por dentro, podendo ultrapassar os 45 °C durante os ciclos de carga e descarga. Esse calor acelera reações químicas internas, provoca evaporação do eletrólito, corrosão das placas e perda gradual da capacidade de armazenar energia.
Os pesquisadores também identificaram que o calor aumenta o risco de falhas repentinas. Em testes realizados a 40 °C, houve crescimento tanto de episódios de sobrecarga quanto de sobredescarga, situações que deixam a bateria instável e elevam as chances de pane súbita. Embora invisíveis para o motorista, esses processos enfraquecem a estrutura interna e encurtam a vida útil do equipamento.
No uso real, o problema tende a ser ainda mais grave. Em dias de sol forte ou em congestionamentos, a temperatura no cofre do motor pode ultrapassar os 70 °C. Ao mesmo tempo, o consumo elétrico cresce com o uso intenso de ar-condicionado, ventiladores e sistemas eletrônicos. Trajetos curtos e repetidos, comuns nas cidades, dificultam a recarga completa da bateria, agravando o desgaste. Por isso, especialistas recomendam cuidados simples, como estacionar na sombra, evitar ligar acessórios antes da partida, manter revisões em dia e reduzir o uso excessivo do carro no calor intenso.
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