
A Assembleia Nacional da França aprovou, na última quinta-feira (27), mais uma resolução pedindo que o governo de Emmanuel Macron rejeite o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. A votação, simbólica e sem efeito obrigatório, reforça o clima de pressão política dentro do país. A proposta foi apresentada pelo partido de extrema-esquerda França Insubmissa (LFI) e venceu por ampla maioria: 244 votos a favor e apenas um contra — e essa única deputada ainda afirmou ter apertado o botão errado.
Durante o debate, o deputado Matthias Tavel, do LFI, classificou o tema como “uma escolha civilizacional”, alegando que o acordo seria “mortal” para a agricultura francesa. O argumento ecoa uma preocupação crescente entre parlamentares do campo e setores que temem aumento da concorrência de produtos sul-americanos. Não é a primeira vez que a França tenta frear o pacto: no ano passado, outra votação do tipo teve 484 votos contrários ao tratado.
Mesmo com as resistências internas, o processo segue avançando no âmbito internacional. União Europeia e Mercosul chegaram a um acordo político em dezembro de 2024, mas o texto ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e por cada Estado-membro. No Brasil, o chanceler Mauro Vieira afirmou recentemente que a assinatura do pacto está prevista para 20 de dezembro, no Rio de Janeiro.
A nova reação francesa, porém, mostra que o caminho até a ratificação será longo. O país é um dos principais focos de oposição dentro da UE, e Macron enfrenta forte pressão doméstica, sobretudo do setor agrícola. Com isso, mesmo acordos amplamente negociados seguem sob risco, deixando em aberto se o pacto comercial — discutido há mais de duas décadas — finalmente sairá do papel.
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