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Casal de empresários é fuzilado por “lucrar” na Coreia do Norte

Execução pública provoca pânico entre comerciantes, esvazia mercados e reforça ofensiva contra qualquer traço de autonomia econômica

24/11/2025 às 07h30 Atualizada em 26/11/2025 às 22h29
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A Coreia do Norte realizou mais uma execução pública que expôs a brutalidade do regime e a pressão crescente sobre qualquer iniciativa econômica fora do controle estatal. Um casal de empresários, ambos na faixa dos 50 anos, foi morto por fuzilamento na região de Mirim após ser acusado de “arrogância”, enriquecimento ilícito e atividades consideradas “antirrepublicanas”. Eles comandavam uma empresa de bicicletas elétricas, peças e serviços de aluguel e manutenção, e teriam lucrado mais do que o permitido pelo Estado, o que chamou atenção das autoridades e gerou ressentimento entre moradores.

A prisão foi feita no início de agosto, seguida de interrogatórios conjuntos e uma condenação à morte proferida no início de setembro. A execução ocorreu em espaço aberto, diante de mais de 200 pessoas obrigadas a comparecer, incluindo crianças pequenas e alunos do ensino fundamental que passavam pelo local. A ordem para expor menores ao ato foi interpretada como um recado deliberado: mostrar que ninguém está fora do alcance do Estado e que qualquer deslize, mesmo mínimo, pode resultar em punição extrema.

Coreia do Norte executa casal acusado de atividade antirrepublicana em ato público diante de moradores — Foto: Reprodução

Segundo relatos, o regime acusou o casal de violar a Lei de Rejeição do Pensamento e da Cultura Reacionária, movimentar moeda estrangeira de forma ilegal e cooperar com uma organização externa. Também teriam disseminado mensagens consideradas antiestatais. Outras 20 pessoas ligadas ao casal receberam sentenças de exílio ou reeducação. Os dois eram formalmente registrados na Federação Geral dos Sindicatos do Distrito de Sadong, mas lucravam por fora e haviam se tornado conhecidos como “figurões”, com fama de cobrar preços altos e agir com superioridade, fatores usados pelo regime como justificativa para o ato extremo.

A execução provocou impacto imediato no cotidiano da região. Mercados esvaziaram, empresas associadas ao casal faliram e itens como baterias e componentes elétricos desapareceram ou ficaram mais caros. Moradores relataram um clima de medo generalizado, especialmente entre comerciantes, que passaram a reduzir atividades para evitar qualquer indício de prosperidade excessiva. O ato ocorreu poucos dias após o retorno de Kim Jong-un de uma visita à China, movimento interpretado como parte de uma estratégia de reafirmação interna e reforço da disciplina econômica e política.

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