
A esquerda internacional ainda engasga com a ideia de que a maior opositora viva de uma ditadura socialista recebeu o Prêmio Nobel da Paz. O incômodo é tanto que Nicolás Maduro decidiu avançar alguns quilômetros além do ridículo: ameaçou declarar María Corina Machado uma “fugitiva” caso ela ouse viajar para Oslo para receber o prêmio mais importante do planeta em defesa da democracia.
É isso mesmo que você leu.
A premiada é tratada como criminosa, e o ditador como guardião da lei.
O procurador-geral chavista, Tarek William Saab, que deveria ser lembrado como ministro da Justiça, mas que atua como ministro da vingança, justificou a ameaça dizendo que a saída do país configuraria “evasão”. Segundo ele, Corina responde por crimes de conspiração, terrorismo, incitação ao ódio e apoio a forças externas hostis.
Crimes que, na Venezuela de Maduro, significam apenas uma coisa:
discordar do governo.
As acusações, de tão frágeis, já viraram piada entre diplomatas. Mas servem como instrumento de coerção, intimidação e controle total sobre qualquer opositor que ouse respirar fora das linhas traçadas pelo regime.
Enquanto isso, o Comitê do Nobel da Paz confirmou a viagem e alertou formalmente para o risco à integridade física de María Corina, um detalhe que desmonta completamente a narrativa do regime: quem é o real agressor nessa história?
O mundo inteiro já sabe a resposta.
Porque, diferentemente da oposição domesticada que o chavismo produziu ao longo de duas décadas, María Corina não se dobra, não negocia sua liberdade e não aceita as regras impostas pela ditadura.
Ela denunciou Hugo Chávez no auge do poder.
Denunciou Maduro quando ninguém ousava sequer mencionar fraude eleitoral.
E agora recebe o Nobel da Paz justamente por aquilo que o regime mais odeia:
lutar pela restauração da democracia venezuelana.
Para um ditador inseguro, fraco e dependente da repressão, ver sua principal opositora reconhecida globalmente como símbolo de resistência democrática é um golpe mais doloroso que qualquer sanção internacional.
Maduro tenta vender ao mundo a versão de que impedir a viagem seria apenas uma “medida legal”, pois María Corina estaria “respondendo a crimes graves”. No dicionário chavista, “crime grave” é o ato de existir fora do controle do regime.
A narrativa não convence nem os aliados mais dóceis.
Afinal, qual país democrático proíbe alguém de viajar para receber um Prêmio Nobel da Paz?
Qual democracia ameaça declarar “foragida” uma cidadã cujo único crime é pedir eleições livres?
Qual regime teme tanto um avião com destino à Noruega?
A resposta é simples: uma ditadura, e apenas uma ditadura.
A tentativa de impedir que María Corina receba o Nobel é só mais um capítulo da longa perseguição que ela sofre:
teve seus direitos políticos cassados sem crime algum;
foi impedida de registrar sua candidatura presidencial;
é vigiada 24 horas por agentes do regime;
não pode circular livremente dentro do próprio país;
e agora corre risco de ser presa por “viajar”.
Nem nos piores anos de Stalin isso ficava tão explícito.
No dia 6 de dezembro, o partido Vente Venezuela convocou a Marcha Global pela Liberdade. O gesto é simbólico, poderoso e oportuno: mostra que, apesar da repressão, a oposição venezuelana tem mais legitimidade internacional do que o ditador que tenta silenciá-la.
Enquanto isso, Maduro tenta transformar o Nobel da Paz em caso policial, e acaba revelando, mais uma vez, aquilo que o mundo inteiro já sabia:
quem precisa de polícia para impedir que alguém receba um prêmio de paz jamais poderá ser chamado de presidente, apenas de tirano.
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