
Cuba vive uma das piores crises sanitárias de sua história. Após meses negando o problema, o próprio Ministério da Saúde admitiu que a ilha enfrenta epidemias de dengue, chikungunya e outras arboviroses. Segundo o diretor nacional de Epidemiologia, Francisco Durán, mais de 47 mil cubanos estão hospitalizados, mas o número real é muito maior: ele mesmo estimou que mais de 30% da população, cerca de 3,6 milhões de pessoas, já foi infectada. A situação é alimentada por falta de saneamento, lixo acumulado e escassez crônica de recursos.
Relatos vindos de vários bairros de Havana e do interior descrevem cenas de abandono. Moradores e ONGs citam febre alta, diarreia, vômitos, icterícia e erupções cutâneas entre os principais sintomas. Até presos estariam sendo atingidos pelos surtos, que se espalham sem controle por causa da proliferação do Aedes aegypti e da falta de água potável. A ONG Observatório Cubano de Direitos Humanos pediu que o regime declare imediatamente emergência sanitária, afirmando que o povo vive “entre lixo, doença e fome”.

Outra organização, o Observatório Cubano de Conflitos, foi ainda mais dura e classificou o cenário como um “genocídio silencioso”, afirmando que há nove vírus circulando e mortes muito superiores às divulgadas pelo governo, que reconheceu apenas três até agora. Médicos ouvidos por ONGs afirmam que grande parte da população deixa de procurar hospitais por medo da falta de recursos. A consequência é um diagnóstico incompleto e uma visão distorcida da real dimensão da tragédia.
A crise é agravada por outros dois fatores: a falta de medicamentos e o colapso energético. Hospitais estão sem testes laboratoriais, seringas, insumos básicos e até equipamentos essenciais. Famílias recorrem ao mercado informal e a doações internacionais para tentar tratar parentes doentes. Enquanto isso, apagões de até 20 horas por dia atingem cidades como Santiago de Cuba e Holguín, e a própria Havana enfrenta cortes que chegam a dez horas. O governo cubano já admitiu que sua rede elétrica entrou em colapso em setembro, aprofundando ainda mais o caos sanitário e social na ilha.
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