
O novo presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, fez uma das declarações mais duras de seu governo até agora. No domingo (16), ele afirmou que auditorias iniciais nas contas públicas apontam um possível desvio de US$ 15 bilhões durante gestões anteriores número que, segundo ele, ainda pode crescer. Paz chamou o caso de “roubo”, embora tenha dito que tudo ainda está sendo investigado.
Durante a coletiva, o presidente usou uma metáfora pesada para descrever a situação do país: “Não estamos transformando o Estado, estamos fazendo uma autópsia. O Estado está morto”, disse. Para Paz, tamanha perda de recursos destruiu a capacidade do governo de servir à população boliviana. Ele reforçou que o objetivo agora é reconstruir as instituições e restaurar a confiança.
Entre os contratos suspeitos citados está a compra de nove radares franceses, avaliados em 360 milhões de euros, que deveriam reforçar o controle aéreo e o combate ao tráfico de drogas. Paz afirmou que, apesar do alto investimento, os equipamentos nunca chegaram a operar mais um sinal, segundo ele, de que houve má gestão ou corrupção.
No cargo desde 8 de novembro, o presidente herda um país com desafios urgentes. Ele precisa garantir financiamento externo e adotar medidas econômicas que podem desagradar parte da população, como o corte de subsídios e a mudança no sistema de câmbio. Para Paz, enfrentar esses problemas exige antes entender o tamanho do estrago deixado para trás e as auditorias, segundo ele, estão apenas começando.
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