Domingo, 28 de Junho de 2026
31°

Tempo nublado

Teresina, PI

Internacional CHILE POLARIZADO

Esquerda comunista x direita conservadora: Chile decide futuro em 2º turno explosivo

Jeannette Jara avança com projeto de Estado forte e agenda social; Kast aposta em segurança rígida, corte de gastos e conservadorismo; Chile entra na eleição mais dividida desde 2019

17/11/2025 às 10h53 Atualizada em 18/11/2025 às 16h58
Por: Wagner Albuquerque
Compartilhe:
Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

A eleição presidencial no Chile terminou o primeiro turno neste domingo (16) com a confirmação de um cenário altamente polarizado. Jeannette Jara, candidata governista, ex-ministra do Trabalho e militante do Partido Comunista, e José Antonio Kast, líder conservador, fundador do Partido Republicano e aliado político da família Bolsonaro, avançaram à disputa final marcada para o dia 14 de dezembro. Com quase todas as urnas apuradas, Jara ficou em primeiro lugar com cerca de 26,8%, seguida por Kast, com aproximadamente 24%.

A fragmentação eleitoral, com oito candidatos na disputa, impediu uma vitória no primeiro turno e ajudou a empurrar os dois nomes mais ideológicos para a rodada final. O resultado reforça o contraste entre projetos opostos: enquanto Jara defende um Estado mais presente, ampliação de direitos sociais e continuidade do eixo de governo de Gabriel Boric, Kast propõe redução do tamanho do Estado, maior protagonismo do setor privado e políticas de segurança mais duras. Analistas veem a decisão como reflexo direto da insatisfação popular com problemas persistentes, principalmente crime e estagnação econômica.

Pesquisas divulgadas antes da votação mostravam leve vantagem para Jara, mas o desempenho de Kast superou projeções e o colocou em condições competitivas para a reta final, impulsionado por eleitores da direita tradicional e da ultradireita. Nas horas seguintes ao resultado, Kast recebeu apoio formal de Johannes Kaiser e Evelyn Matthei, que juntos somaram mais de 26% dos votos, podendo ultrapassar a barreira dos 50% no segundo turno caso esse apoio se mantenha entre seus eleitores.

Jara também iniciou o movimento de articulação e busca de apoios entre candidatos derrotados, tentando ampliar o discurso de coalizão e capturar votos moderados. No entanto, especialistas apontam que a corrida deve ser uma das mais apertadas da história recente do Chile, com possibilidade de resultado decidido por margens mínimas e forte influência do debate sobre segurança pública, economia e projeto de país. O próximo mês será decisivo para definir se o Chile seguirá com uma gestão alinhada à atual esquerda governista ou fará uma guinada conservadora.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários