
A Alemanha decidiu reativar o serviço militar em um novo formato. Após semanas de disputas políticas, governistas chegaram a um acordo que estabelece um sistema híbrido: todos os jovens de 18 anos serão registrados e avaliados, mas a convocação obrigatória só ocorrerá se o Parlamento julgar necessário. A medida surge em meio ao esforço do governo para reconstruir a Bundeswehr (Exército da Alemanha), enfraquecida ao longo de décadas.
O novo plano determina que homens deverão responder a um questionário sobre aptidão e interesse em servir. Além disso, exames médicos voltarão a ser obrigatórios, começando pelos nascidos em 2008. Caso o número de voluntários seja insuficiente, os parlamentares poderão autorizar convocações de acordo com a necessidade. A loteria militar, que havia travado debates anteriores, agora só seria usada como último recurso. Para estimular o voluntariado, o governo oferece salário de € 2.600, carteira de motorista e benefícios extras.

A mudança ocorre num contexto de maior tensão internacional. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, a Alemanha tem sido pressionada pelos Estados Unidos e pela OTAN a reforçar sua defesa. O chanceler Friedrich Merz promete transformar o Exército alemão no mais forte da Europa, elevando o efetivo dos atuais 182 mil soldados para até 270 mil, além de 200 mil reservistas. Segundo o ministro da Defesa, Boris Pistorius, o país deve estar preparado para um cenário de guerra até 2029.
Inspirado em modelos nórdicos, o sistema alemão segue o exemplo de países como a Suécia, que também retomou o recrutamento em meio ao avanço das tensões com a Rússia. Lá, todos os jovens respondem a um questionário, mas apenas uma pequena parcela é chamada para avaliações e, desses, apenas um terço é convocado. Na Alemanha, o projeto será votado pelo Parlamento ainda este ano, num passo decisivo para redefinir o papel das Forças Armadas em um momento de instabilidade na Europa.
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