
Jornalistas na Venezuela, diante da crescente repressão do regime de Nicolás Maduro, estão recorrendo a uma tática inovadora para se proteger: o uso de avatares gerados por inteligência artificial (IA) para divulgar notícias consideradas "inadequadas" pelo governo. A estratégia busca evitar a prisão dos profissionais de imprensa, cada vez mais ameaçados no país.
Esses avatares digitais aparecem em transmissões diárias, revelando ao mundo as ações repressivas do governo, sem expor a identidade dos jornalistas. Em uma das transmissões, foi relatado que "mais de 1.400 pessoas foram detidas em menos de duas semanas, com ao menos 23 mortes durante os protestos".
A iniciativa, batizada de Operación Retuit, envolve cerca de 20 veículos de notícias e checagem de fatos da Venezuela, contando com a colaboração de cerca de 100 jornalistas. O conteúdo produzido por esses profissionais é apresentado pelos avatares conhecidos como La Chama e El Pana, que transmitem boletins diários sobre a situação no país.
Em sua estreia, La Chama declarou: "Antes de prosseguir – caso você não tenha notado – queremos informar que não somos reais", enquanto divulgava dados sobre a repressão. El Pana, outro avatar, relatou os excessos cometidos pelas forças de segurança, afirmando que todas as vítimas dos protestos foram mortas a tiros por agentes do Estado ou por grupos paramilitares conhecidos como colectivos.
A utilização de avatares de IA representa uma solução criativa e corajosa para manter a imprensa ativa na Venezuela, permitindo a circulação de informações, apesar da censura e da perseguição imposta pelo regime.
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