
O governo brasileiro acendeu o alerta para o risco de paralisação em parte da indústria automobilística nas próximas semanas. Segundo o secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira, algumas montadoras podem interromper suas operações dentro de duas a três semanas se persistir a escassez global de chips — essencial para os sistemas eletrônicos dos veículos.
A falta de semicondutores é consequência de uma disputa entre a Holanda e a China pelo controle da fabricante Nexperia, que responde por cerca de 40% do mercado mundial de microprocessadores básicos. O governo holandês interveio na empresa por motivos de segurança nacional, já que sua controladora chinesa, Wingtech, foi sancionada pelos Estados Unidos em 2024. Pequim reagiu impondo restrições, o que travou parte da cadeia de produção.
De acordo com Moreira, o ministro Geraldo Alckmin já acionou os embaixadores do Brasil em Pequim e do governo chinês em Brasília para tentar mediar a situação. A intenção é deixar claro que o país não deve ser afetado por esse embate geopolítico. A Anfavea (associação das montadoras) também manifestou preocupação e pediu uma atuação diplomática urgente para evitar desabastecimento.
O setor alerta que um carro moderno pode conter de mil a três mil chips, usados em componentes como freios, sensores e sistemas de navegação. Embora haja alternativas de fornecimento — como Infineon, NXP e Texas Instruments —, a substituição depende de longos processos de homologação. Se a crise continuar, o Brasil pode reviver um cenário semelhante ao da pandemia, quando fábricas suspenderam a produção por falta de componentes.
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