
O Paraguai quer transformar sua economia e se tornar um polo de tecnologia na América do Sul. A empreendedora Gabriela Cibils, que trabalhou no Vale do Silício e hoje lidera a empresa Cibersons, é uma das vozes à frente dessa mudança. Ela acredita que o país tem o potencial para atrair gigantes globais e consolidar um setor de inovação capaz de competir com vizinhos maiores como Brasil e Argentina.
Um dos principais trunfos paraguaios é a energia limpa e barata. Com Itaipu e Yacyretá, o país garante 100% de sua eletricidade a partir de hidrelétricas e se tornou o maior exportador mundial de energia renovável. Esse excedente, aliado à estabilidade econômica e a impostos reduzidos, é visto como atrativo para empresas que buscam instalar data centers e projetos intensivos em energia, sobretudo no setor de inteligência artificial.
O governo já começou a agir. Está investindo cerca de US$ 20 milhões na primeira fase de um parque digital próximo ao aeroporto de Assunção, que deve abrigar empresas, lagos artificiais, áreas de convivência e até uma universidade de tecnologia em parceria com Taiwan. A expectativa é que, em menos de dois anos, o local se torne um centro de inovação capaz de atrair investidores e capacitar milhares de jovens.
Para sustentar esse avanço, organizações como a Girls Code vêm formando novas gerações de programadores, com foco especial em mulheres. Mais de mil jovens já receberam treinamento em programação, robótica e inglês. Apesar dos desafios de burocracia e adaptação de contratos internacionais, a aposta é clara: se o Paraguai souber aproveitar sua energia renovável, mão de obra jovem e clima favorável para negócios, pode se firmar como um novo polo tecnológico global.
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