
Os Estados Unidos querem voltar à Lua antes de 2027 e, desta vez, não apenas para plantar uma bandeira. A Nasa corre contra o tempo para realizar a missão Artemis III, que levará quatro astronautas ao polo sul lunar em um pouso histórico após mais de cinco décadas. A pressa tem um componente político — o presidente Donald Trump quer a conquista ainda em seu mandato — e um geopolítico: disputar espaço com China e Rússia, que também planejam suas próprias bases no satélite.
O projeto americano vai além do pouso. Até 2030, a Nasa pretende instalar um reator nuclear compacto no polo sul da Lua, capaz de fornecer energia contínua para missões de longa duração. O equipamento, com potência de até 100 quilowatts, pode sustentar bases científicas e habitações humanas por uma década, garantindo autonomia mesmo em áreas sem luz solar. A iniciativa é considerada essencial para consolidar a presença permanente fora da Terra.
Do outro lado, a aliança sino-russa já anunciou a construção de uma usina nuclear automatizada na Lua até 2035, dentro do projeto International Lunar Research Station (ILRS). A China deve iniciar o envio de módulos estruturais já em 2028, pela missão Chang’e-8. O polo sul é o ponto mais disputado: além do gelo que pode virar oxigênio e combustível, abriga minerais raros e o hélio-3, visto como potencial combustível para fusão nuclear limpa.
Especialistas explicam que essa corrida não é mais por bandeiras, mas por infraestrutura e influência. Segundo a professora Michelle Hanlon, do Mississippi, quem conseguir instalar energia estável fora da Terra terá poder para ditar normas de convivência no espaço. Para os cientistas, a disputa nuclear na Lua inaugura uma nova fase da exploração espacial: não vence quem chega primeiro, mas quem consegue ficar e construir.
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