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Kofola: A "coca-cola comunista" que superou a guerra fria e continua a crescer

A Kofola nasceu nos anos 1960, desenvolvida por uma indústria farmacêutica tcheca em meio aos embargos que os países da Cortina de Ferro impunham às marcas ocidentais, especialmente as americanas

03/09/2024 às 19h40 Atualizada em 03/09/2024 às 20h21
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações O Globo
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Kofola, feita à base de cafeína inspirada na da Coca-Cola, é o principal produto da empresa, que tem ainda sucos, águas e energéticos - Foto: Divulgação
Kofola, feita à base de cafeína inspirada na da Coca-Cola, é o principal produto da empresa, que tem ainda sucos, águas e energéticos - Foto: Divulgação

Nos países comunistas, onde a Coca-Cola é proibida ou restrita a turistas em hotéis e restaurantes, surgem alternativas locais para saciar o desejo por refrigerantes. Em Cuba, por exemplo, o Tukola é a única opção disponível para a população, conhecido como a "Coca-Cola Cubana". No entanto, do outro lado do mundo, a Kofola, uma bebida tcheca criada durante a Guerra Fria, não apenas sobreviveu ao colapso do comunismo, mas também prospera até hoje.

A Kofola nasceu nos anos 1960, desenvolvida por uma indústria farmacêutica tcheca em meio aos embargos que os países da Cortina de Ferro impunham às marcas ocidentais, especialmente as americanas. A bebida, à base de café, rapidamente se tornou a "Coca-Cola" dos países comunistas na Europa, um sucesso local que enfrentou desafios com a queda do Muro de Berlim e a abertura dos mercados ao Ocidente. No entanto, ao invés de sucumbir à concorrência internacional, a Kofola encontrou um caminho para a renovação.

Após quase desaparecer nos anos 1990, a Kofola ressurgiu e hoje não para de crescer. A empresa, que já expandiu sua linha de produtos para incluir águas minerais, energéticos, sucos e cervejas, viu suas vendas aumentarem 11% no primeiro trimestre deste ano, com a bebida Kofola registrando um impressionante crescimento de 19%. Com um portfólio diversificado e presença em diversos países, incluindo a República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia e Croácia, a Kofola agora mira novos mercados nos Bálcãs e países bálticos.

A empresa também deu seus primeiros passos fora da Europa, adquirindo uma participação de 25% em uma tradicional produtora de café colombiana. Essa expansão internacional foi impulsionada por um lançamento bem-sucedido de ações na bolsa em 2015, que levantou os recursos necessários para financiar o crescimento contínuo da companhia.

Apesar dos desafios enfrentados, como a saída da Polônia em 2019 e os impactos da pandemia, a Kofola segue determinada a continuar sua expansão. Para o diretor financeiro da empresa, Martin Pisklak, a pressão por crescer é essencial para o sucesso a longo prazo. A previsão é dobrar os lucros nos próximos anos, consolidando a Kofola como um exemplo de resiliência e adaptação no mercado global.

Enquanto outras bebidas substitutas da Coca-Cola americana sucumbiram após o fim do comunismo, a Kofola se reinventou e se tornou uma força no mercado, provando que, mesmo em tempos de mudança, é possível não apenas sobreviver, mas também prosperar. Prova de que o empreendedorismo suporta todos os desafios.

Todas as fotos do carrocel são: Divulgação

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