
A Bolívia viveu neste domingo (19) uma virada histórica. Rodrigo Paz, senador do Partido Democrata Cristão (PDC), foi eleito presidente com 54,5% dos votos no segundo turno, o primeiro da história do país. Ele derrotou o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga e pôs fim a quase duas décadas de domínio do Movimento ao Socialismo (MAS), fundado por Evo Morales, que governava desde 2006.
A vitória de Paz representa uma mudança no cenário político boliviano. Aos 55 anos, ele construiu sua carreira como vereador, prefeito de Tarija, deputado e senador. Durante a campanha, defendeu o plano “capitalismo para todos”, com foco em formalizar pequenas empresas, recuperar a confiança na economia e descentralizar o poder. Sua eleição simboliza o desgaste da esquerda, marcada por denúncias de corrupção e por uma crise econômica sem precedentes.
O novo presidente assume um país em forte turbulência. A Bolívia enfrenta inflação anual de mais de 23%, escassez de combustíveis e de dólares, além da queda drástica das reservas internacionais. O chamado “milagre econômico” dos anos de Evo Morales se desfez à medida que as exportações de gás natural despencaram, derrubando a principal fonte de receita nacional. Hoje, as reservas cambiais giram em torno de apenas US$ 50 milhões, um colapso que gerou filas para comprar pão, gasolina e até moeda estrangeira.
Logo após o resultado, o vice-presidente eleito, Edmand Lara, pediu reconciliação nacional e ressaltou que o governo quer governar “para todos os bolivianos”. O grande desafio de Paz será devolver estabilidade ao país e mostrar que a mudança política pode se traduzir em melhora de vida para a população. Com a posse marcada para 8 de novembro, a Bolívia inicia um novo ciclo político, enquanto a era do MAS e de Evo Morales parece definitivamente encerrada.
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