
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, se referiu à líder da oposição María Corina Machado como uma “bruxa demoníaca” durante discurso em Caracas, em 12 de outubro de 2025, após ela receber o Prêmio Nobel da Paz. A honraria reconheceu sua “incansável luta pela democracia na Venezuela”.
Maduro acusou María Corina de apoiar manobras militares estrangeiras, afirmando que ela atua contra a soberania nacional. Em seu discurso, também a chamou de “Sayona”, personagem do folclore venezuelano, usada pejorativamente para descrever mulheres de pele clara e cabelos negros, reforçando o tom de ataque pessoal.
A primeira reação do presidente foi de desprezo pelo reconhecimento internacional, sem mencionar o prêmio diretamente. Para Maduro, o Nobel representa interferência externa na política interna e simboliza o fortalecimento da oposição diante de seu governo.
María Corina, por outro lado, destacou que dedicou o prêmio ao povo sofredor da Venezuela e ao ex-presidente americano Donald Trump, também indicado. Ela afirmou que o reconhecimento fortalece a luta democrática e denuncia a opressão do regime chavista.
O Nobel da Paz, concedido a María Corina, tem um impacto político significativo dentro da Venezuela. Para a oposição, é uma legitimação internacional de sua atuação; para o governo, é visto como um ataque à autoridade e à imagem de Maduro.
Durante o discurso, Maduro ressaltou que a população venezuelana rejeita a oposição, afirmando que “noventa por cento da população repudia a bruxa demoníaca da Sayona”, sem mencionar o prêmio Nobel, mas claramente reagindo à premiação e ao prestígio internacional conquistado por María Corina.
O governo chavista tem utilizado o termo “Sayona” de forma recorrente para atacar a líder oposicionista, tentando deslegitimar sua imagem e enfraquecer seu impacto político. A escolha do termo folclórico reforça a estratégia de associar María Corina a uma figura negativa e sobrenatural, criando simbolismo de hostilidade. 👻
O prêmio Nobel também evidencia a tensão entre política internacional e política interna, já que órgãos internacionais e comitês de premiação podem influenciar a narrativa local e gerar repercussões políticas internas, especialmente em regimes autoritários como o de Maduro.
Em resposta à reação de Maduro, María Corina manteve seu discurso de defesa da democracia, liberdade e direitos humanos, reforçando que a honraria é um reconhecimento à luta do povo venezuelano e um alerta sobre a repressão do governo. O caso mostra como prêmios internacionais podem se tornar armas simbólicas em disputas políticas internas.
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