
Por décadas, a Europa acreditou que a paz era um direito garantido. Mas essa sensação está se desfazendo. O alerta do chanceler alemão Friedrich Merz, de que o continente “não está em guerra, mas também não está mais em paz”, resume um cenário de tensão crescente. Nos últimos meses, drones russos invadiram o espaço aéreo de países da Otan, aeroportos foram fechados e ataques cibernéticos colocaram governos e infraestruturas em alerta máximo.
A chamada “zona cinzenta” — um estado em que nada é guerra, mas também não há paz — se tornou o novo campo de batalha europeu. Ex-líderes da Otan e especialistas em segurança alertam para uma escalada silenciosa. Enquanto a Rússia testa os limites da aliança ocidental, governos europeus se mostram divididos e despreparados. O Itamaraty alemão e outras chancelarias evitam falar em conflito, mas reforçam as defesas aéreas e digitais.
Segundo analistas, há três leituras possíveis para essa nova crise.
A primeira é que Moscou tenta medir a reação da Otan, lançando provocações controladas, como o “sapo na panela” — aumentando lentamente a temperatura sem causar uma explosão imediata.
A segunda é que as fragilidades políticas internas da Europa encorajam o Kremlin, que aposta na instabilidade de líderes enfraquecidos.
E a terceira hipótese, mais preocupante, é que a Rússia busca espalhar medo entre os cidadãos europeus, testando a resiliência social e a capacidade de resposta da aliança.
Enquanto os drones russos cruzam céus da Polônia, Dinamarca e Alemanha, a pergunta se repete: até onde vai a paciência europeia? O ex-chefe da Otan George Robertson resume o desafio: “A defesa não é apenas das forças armadas, é de toda a sociedade. Todos precisam saber o que fazer em uma emergência.” A nova guerra da Europa, por enquanto, não é travada com tanques — mas com códigos, sabotagens e medo.
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