
O cessar-fogo em Gaza mal começou, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, já deixou claro: “Hamas será desarmado e Gaza, desmilitarizada.” A frase, dita em tom de advertência, ecoou nas redes e nos noticiários do mundo inteiro. Segundo ele, o grupo palestino só aceitou o acordo de trégua quando “sentiu a espada pousada em seu pescoço” — e, nas palavras do premiê, “ela ainda está lá”.
O discurso foi transmitido na manhã desta sexta-feira (10/10), cerca de uma hora após o início oficial do cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que colocou fim — ao menos temporariamente — a dois anos de guerra sangrenta. O anúncio da trégua partiu do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mediou as negociações e celebrou o que chamou de “fim da guerra em Gaza”.
Netanyahu, no entanto, fez questão de deixar claro que o cessar-fogo não significa rendição. Para ele, o Hamas foi obrigado a recuar pela força militar israelense e pelo cerco diplomático internacional. Segundo o premiê, o desarmamento total do grupo e a destruição de suas estruturas militares serão condições inegociáveis para a reconstrução da Faixa de Gaza.
“Se for alcançado da maneira fácil, tanto melhor. Se não, será pela maneira difícil”, advertiu Netanyahu, sinalizando que Israel está disposto a usar novamente a força caso o Hamas não cumpra o acordo.
A primeira fase do cessar-fogo envolve a troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos, numa tentativa de aliviar as tensões e abrir espaço para um novo diálogo mediado pelos Estados Unidos e por países árabes aliados.
O primeiro-ministro aproveitou o pronunciamento para agradecer aos soldados israelenses e à população do país pela “resiliência e determinação” ao longo de dois anos de guerra, além de reafirmar o compromisso de trazer de volta todos os reféns — vivos ou mortos — às suas famílias.
Netanyahu também confirmou que o segundo plano proposto por Donald Trump prevê a total desmilitarização de Gaza e a destruição de toda a infraestrutura militar e terrorista do Hamas. O projeto incluiria supervisão internacional e o controle rígido das fronteiras e portos, evitando o rearmamento do grupo.
Enquanto isso, em Gaza, milhares de palestinos retornaram para suas casas em meio aos escombros, após dois anos de destruição, deslocamentos forçados e perdas humanas incalculáveis. A sensação é agridoce: o silêncio das bombas é bem-vindo, mas a incerteza sobre o futuro ainda assombra.
Netanyahu aposta que a pressão militar, somada ao isolamento diplomático, fará o Hamas “baixar as armas” de forma definitiva. Mas analistas internacionais alertam: desarmar o Hamas e desmilitarizar Gaza pode ser um desafio muito maior do que o premiê imagina.
Se a trégua realmente marcar o fim do conflito, será um dos maiores feitos diplomáticos dos últimos tempos. Mas, como disse um alto oficial israelense sob anonimato: “O cessar-fogo não é o fim da guerra. É apenas o começo de uma nova fase.”
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