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Maria Corina Machado: o Nobel da Paz para a coragem venezuelana

O reconhecimento mundial à líder da oposição que enfrentou Nicolás Maduro e manteve acesa a chama da democracia em meio à tirania

10/10/2025 às 10h04
Por: Douglas Ferreira
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Maria Corina Machado - Foto: Reprodução
Maria Corina Machado - Foto: Reprodução

Como diria o personagem Justo Eríssimo, de Chico Anísio: "foi justo, mais do justo, foi justíssimo".

Sim. O Prêmio Nobel da Paz concedido a Maria Corina Machado foi o reconhecimento de seu trabalho árduo, destemido e incansável contra a ditadura de Nicolás Maduro, na Venezuela. Corina é — e sempre será — o exemplo maior de mulher empoderada. Empoderamento é isso. Poucas, na atualidade, têm a coragem que ela tem: a coragem de enfrentar e denunciar o terrorismo praticado dia após dia pelo narcoterrorista que comanda a Venezuela.

Mas por que Maria Corina Machado é merecedora de tamanha honraria? Qual seu grande feito? Qual seu legado? O que representa esse reconhecimento?

A luta incansável de Maria Corina Machado contra o ditador Nicolás Maduro foi reconhecida pelo Comitê Norueguês do Nobel, pelo seu esforço em manter acesa a chama da democracia em meio à crescente escuridão autoritária. O anúncio oficial ocorreu nesta sexta-feira (10).

O Comitê exaltou Corina Machado como uma corajosa e comprometida defensora da paz, promotora dos direitos democráticos do povo venezuelano e batalhadora por uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia.

Segundo o comunicado do Comitê Norueguês do Nobel:

  • Como líder do movimento pela democracia na Venezuela, Maria Corina Machado é um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos últimos tempos.

  • Ela tem sido uma figura-chave e unificadora de uma oposição política antes profundamente dividida, encontrando um ponto comum na reivindicação por eleições livres e um governo representativo.

A Venezuela evoluiu de um país relativamente democrático e próspero para um Estado brutal e autoritário, enfrentando uma crise humanitária e econômica. A maioria da população vive em extrema pobreza, enquanto poucos no topo enriquecem. A máquina violenta do Estado é direcionada contra os próprios cidadãos. Quase 8 milhões de pessoas deixaram o país. A oposição tem sido sistematicamente reprimida por fraude eleitoral, processos judiciais e prisões.

O regime dificulta enormemente o trabalho político. Como fundadora da Súmate, organização dedicada ao desenvolvimento democrático, Corina Machado defendeu eleições livres e justas há mais de 20 anos. Como ela mesma disse:

“Foi uma escolha entre votos e balas”.

Ao longo de sua carreira, Corina tem se manifestado em prol da independência judicial, dos direitos humanos e da representação popular, trabalhando incansavelmente pela liberdade do povo venezuelano.

Antes das eleições de 2024, Machado era candidata presidencial da oposição, mas o regime bloqueou sua candidatura.

Ela apoiou outro representante de oposição, Edmundo González Urrutia, mobilizando centenas de milhares de voluntários treinados como observadores eleitorais para garantir eleições transparentes e justas. Apesar do risco de assédio, prisão e tortura, cidadãos de todo o país vigiaram as seções eleitorais, documentando a apuração final antes que o regime pudesse manipular os resultados.

Os esforços da oposição foram inovadores, corajosos, pacíficos e democráticos, recebendo apoio internacional quando divulgaram contagens de votos coletadas localmente, provando a vitória da oposição, mesmo diante da recusa do regime em aceitar o resultado.

A democracia é condição prévia para uma paz duradoura. Mas, em um mundo em retrocesso democrático, regimes autoritários desafiam normas e recorrem à violência. O domínio rígido do regime venezuelano e sua repressão não são isolados: vemos tendências similares globalmente, com violação do Estado de direito, censura à mídia e perseguição a críticos.

O Comitê Norueguês do Nobel sempre homenageou homens e mulheres corajosos, que resistiram à repressão, levando esperança de liberdade às ruas, praças e prisões, demonstrando que a resistência pacífica pode mudar o mundo. No último ano, Corina Machado foi forçada a viver escondida, mas permaneceu no país, inspirando milhões.

Quando autoritários tomam o poder, é crucial reconhecer os defensores da liberdade, que ousam agir apesar dos riscos e nos lembram que a liberdade nunca deve ser considerada garantida, mas sempre defendida com coragem e determinação.

Maria Corina Machado atende aos três critérios do testamento de Alfred Nobel para o Prêmio da Paz:

  • Uniu a oposição de seu país.

  • Resistiu à militarização da sociedade venezuelana.

  • Manteve firme o apoio a uma transição pacífica para a democracia.

Ela demonstrou que as ferramentas da democracia são também ferramentas da paz, personificando a esperança de um futuro diferente, onde os direitos fundamentais são protegidos e as vozes da população, ouvidas. Nesse futuro, as pessoas serão finalmente livres para viver em paz.

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