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Professor da USP é preso nos EUA após disparar chumbinho perto de sinagoga

Carlos Portugal Gouvêa, que lecionava como visitante em Harvard, foi detido em Boston na véspera do feriado judaico Yon Kippur

07/10/2025 às 07h22 Atualizada em 09/10/2025 às 10h32
Por: Wagner Albuquerque
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Carlos Portugal Gouvêa - Foto: Reprodução
Carlos Portugal Gouvêa - Foto: Reprodução

Um professor de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Portugal Gouvêa, de 43 anos, foi preso pela polícia de Boston, nos Estados Unidos, após disparar tiros de chumbinho próximo a uma sinagoga. O episódio ocorreu na véspera de Yom Kippur, um dos feriados mais importantes para a comunidade judaica.

Segundo o jornal Brookline News, Gouvêa teria efetuado dois disparos perto do Templo Zion, na Beacon Street, e alegou que estava “caçando ratos”. Dois seguranças do local tentaram detê-lo, e houve uma breve luta corporal antes de ele fugir para casa, onde acabou algemado e preso após a chegada de mais de 12 policiais. Ele também quebrou a janela de um carro estacionado durante a confusão.

O professor foi levado ao Tribunal Distrital de Brookline, acusado de disparo ilegal de arma de chumbinho, conduta desordeira, perturbação da paz e dano à propriedade privada. Ele se declarou inocente, foi liberado sob fiança e deve retornar à corte em novembro. A polícia afirmou que não há indícios de que a sinagoga fosse alvo direto. Harvard, onde Carlos Gouvêa lecionava como professor visitante, anunciou que ele foi colocado em “licença administrativa” até a conclusão das investigações.

Conhecido no Brasil por fundar o Instituto Sou da Paz, organização que defende o desarmamento, e por cofundar a ONG Conectas, financiada por entidades internacionais, Carlos Gouvêa tem longa atuação em pautas progressistas como diversidade, direitos humanos, ESG e regulação tecnológica. Ele também já participou de debates com ministros do STF, como Ricardo Lewandowski, e nos últimos meses se destacou ao criticar a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras, classificando a medida como “aleatória” e “política”.

Líderes da sinagoga afirmaram não acreditar em motivação antissemita no episódio. Já a USP divulgou nota defendendo o docente, destacando seu histórico acadêmico, sua dedicação à pesquisa e sua atuação em defesa dos direitos humanos, ao mesmo tempo em que repudiou “insinuações maldosas” contra o professor.

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