
O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que governou o Reino Unido entre 1997 e 2007, volta ao cenário internacional como possível líder de um conselho encarregado de coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza em um período pós-guerra. A escolha tem apoio da administração de Donald Trump e já desperta debates sobre sua capacidade de atuar em uma região marcada por décadas de conflitos.
Blair carrega experiência em negociações políticas — foi ele quem mediou, ao lado dos Estados Unidos, o Acordo da Sexta-feira Santa em 1998, que encerrou anos de violência na Irlanda do Norte. No entanto, seu legado também é marcado por decisões polêmicas, como o apoio à invasão do Iraque em 2003, em parceria com George W. Bush. Investigações posteriores concluíram que as justificativas usadas por Blair para a guerra foram exageradas, o que minou parte de sua credibilidade internacional.
Após deixar o cargo de premiê, Blair atuou como enviado especial do chamado Quarteto (ONU, EUA, União Europeia e Rússia) para o Oriente Médio. Sua gestão, entretanto, foi duramente criticada por líderes palestinos, que o acusavam de favorecer Israel e de não trazer avanços significativos para a causa da criação de um Estado palestino. Essa imagem ainda gera resistência entre setores da Palestina.
Mesmo com as controvérsias, Blair mantém influência por meio de seu instituto e de contatos próximos em governos árabes e em Israel. Ele tem defendido propostas de reconstrução de Gaza e elogiado o plano de paz apresentado por Trump. Caso assuma o novo papel, precisará provar que sua experiência como negociador pode superar a desconfiança acumulada ao longo de sua trajetória.
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