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Renúncia no Nepal: a força da juventude contra a corrupção

Protestos da Geração Z, marcados por mortes e repressão, derrubam o premiê KP Sharma Oli e expõem a crise política e econômica do país

09/09/2025 às 09h02 Atualizada em 09/09/2025 às 10h33
Por: Douglas Ferreira
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Os protestos da juventude agitaram Katmandu - Foto: Reprodução
Os protestos da juventude agitaram Katmandu - Foto: Reprodução

Entenda os protestos que derrubaram o premiê KP Sharma Oli

O que foi determinante para a renúncia?
A gota d’água foi a repressão violenta aos protestos juvenis, que resultou em ao menos 19 mortos e mais de 400 feridos. A pressão interna e internacional, somada à debandada de ministros do governo, tornou insustentável a permanência de Oli no cargo, que também fugiu do país.

O que mais pesou?

  1. Proibição das redes sociais, vista como tentativa de censura.

  2. Corrupção sistêmica que domina a política há décadas.

  3. Crise econômica e falta de oportunidades para jovens — a taxa de desemprego juvenil é de 20,8%, e muitos nepaleses deixam o país em busca de trabalho.

  4. O movimento contra os “Nepo Kids”, filhos de políticos ostentando luxo, acentuou a indignação popular.

De onde partiu a ordem de repressão?
A ordem para o enfrentamento com uso de munição real, gás lacrimogêneo e canhões de água partiu das forças de segurança sob o comando do Ministério do Interior, liderado por Ramesh Lekhak, que renunciou logo após os confrontos fatais.

Quais os impactos da renúncia?

  • Abre uma crise política em um país que já teve mais de uma dúzia de governos desde 2008.

  • Gera vácuo de poder, favorecendo o Congresso Nepalês, principal partido opositor.

  • Envia uma mensagem de que a pressão popular tem força, mas também pode levar a instabilidade prolongada.

  • Obriga a revisão da repressão estatal e pode acelerar a formação de um governo de coalizão mais aberto às demandas juvenis.

Primeiro-ministro do Nepal, KP Sharma Oli, antes da renúncia - Foto: Reprodução

Quem se beneficia diretamente?

  • Oposição, especialmente o Congresso Nepalês, que ganha espaço político e legitimidade.

  • Juventude mobilizada, que conquistou a queda do premiê e a suspensão da censura às redes sociais.

  • Comunidade internacional, que pressionava contra a repressão, agora encontra abertura para diálogo sobre direitos humanos no Nepal.

Os jovens conquistaram seus objetivos ou os protestos devem continuar?
Conquistaram vitórias parciais: a renúncia de Oli e o fim da proibição das redes sociais. No entanto, as demandas estruturais — combate à corrupção, empregos, oportunidades econômicas e fim dos privilégios políticos — ainda não foram atendidas. É provável que os protestos continuem, com nova força, para garantir que as mudanças não fiquem apenas no simbolismo da saída do premiê.

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