
O julgamento do casal acusado de envenenar e matar oito pessoas em Parnaíba, litoral do Piauí, foi marcado por um espetáculo triste e revoltante. Sem condições de negar o óbvio diante de provas materiais robustas, Francisco de Assis Pereira da Costa e Maria dos Aflitos da Silva partiram para a troca de acusações, em um verdadeiro jogo de empurra-empurra.
Maria dos Aflitos não hesitou em responsabilizar o ex-companheiro pela morte dos filhos, netos e até da vizinha, Jocilene. No entanto, esqueceu-se de um detalhe crucial: a vizinha morreu após visitá-la em casa, quando Francisco de Assis já estava preso. A contradição tornou a narrativa ainda mais frágil.
Em sua fala, Maria tentou sustentar a versão de que só passou a desconfiar de Francisco após o réveillon, sugerindo até um suposto envolvimento entre ele e a vizinha. “Eles conversavam muito escondido”, afirmou, insinuando que Jocilene também teria participação nos crimes.
Francisco, por sua vez, também negou participação e tentou jogar a responsabilidade sobre Jocilene, acusando-a de envolvimento direto nas mortes. Segundo ele, a vizinha estava presente em momentos-chave e teria colaborado nos envenenamentos.
A estratégia de culpar terceiros, no entanto, não sensibilizou a Justiça. O juiz Willmann Izac decidiu manter a prisão preventiva do casal, destacando a gravidade da sequência criminosa. “Não se trata de antecipação de pena, mas de resguardar a ordem pública e evitar a reiteração criminosa”, afirmou o magistrado.
Além disso, atendendo a pedido do Ministério Público, o juiz determinou a abertura de um novo inquérito para apurar um possível caso de falso testemunho durante as oitivas. A decisão reforça a complexidade e a gravidade do processo.
As investigações já comprovaram que os crimes foram cometidos com o uso de terbufós, substância altamente tóxica presente em agrotóxicos e no veneno popularmente conhecido como “chumbinho”. A cronologia dos envenenamentos demonstra planejamento, repetição e frieza na execução.
Entre as vítimas fatais estão filhos, netos e até a própria filha de Maria dos Aflitos, além da vizinha Jocilene. Outras três pessoas sobreviveram, o que levou também às acusações por tentativa de homicídio.
O caso, que chocou o Piauí e o Brasil, revela não apenas a barbárie de um crime intrafamiliar, mas também a tentativa desesperada dos acusados de escapar de uma condenação que se desenha inevitável diante das provas.
Agora, a sociedade aguarda a decisão final da Justiça, mas uma certeza já se impõe: a memória das vítimas não será apagada pelo jogo de acusações e pelas tentativas de manipulação dos réus.
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