
A Guiana, país com as maiores reservas de petróleo per capita do mundo, anunciou um ambicioso projeto de infraestrutura: a construção de uma rodovia de quase 500 quilômetros que ligará a capital Georgetown à cidade de Lethem, na fronteira com o Brasil. A obra, orçada em cerca de R$ 5,4 bilhões, inclui quatro trechos e aproximadamente 50 pontes, e tem previsão otimista de conclusão até 2030. O objetivo é transformar a estrada de terra “El Sendero” em uma rota moderna que impulsione o desenvolvimento econômico e conecte o país a um mercado de 20 milhões de brasileiros.
Nos últimos dez anos, a economia guianense cresceu seis vezes, passando de US$ 4,2 bilhões em 2015 para US$ 24 bilhões em 2024, segundo o Banco Mundial. A rodovia também terá papel estratégico na abertura da região do Essequibo, rica em petróleo e minerais, cuja soberania é disputada pela Venezuela. O ministro de Obras Públicas, Juan Edghill, destaca que a estrada permitirá reduzir o transporte de mercadorias do Brasil para portos guianenses de 21 dias para apenas 48 horas.
O projeto, porém, enfrenta desafios técnicos significativos. Atualmente, percorrer “El Sendero” leva cerca de 15 horas, e a estrada sofre com lama durante as chuvas e poeira intensa no período seco. Trabalhadores locais, como caminhoneiro Ramdial Metleash, relatam a dificuldade das viagens, mas reconhecem o potencial transformador da nova infraestrutura para a economia e para a vida das comunidades ao longo da rota.
Moradores e comerciantes locais enxergam o projeto como uma oportunidade de crescimento, apesar de mudanças na rotina. Michelle Fredericks, proprietária de um negócio em Kurupukari, acredita que a redução do tempo de viagem e o aumento do fluxo de pessoas poderão beneficiar seu comércio no futuro. Para Edghill, a rodovia representa um “ponto de inflexão” para a Guiana, conectando o país a portos estratégicos e fortalecendo a integração regional com o Brasil e o Suriname.
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