
O Brasil chegou a um ponto em que a justiça virou espetáculo, e a perseguição contra Jair Bolsonaro se transformou em roteiro de novela macabra. A mais recente medida imposta pelo ministro Alexandre de Moraes — a presença de policiais dentro da casa do ex-presidente, na área externa — escancara uma sanha persecutória que em nada se confunde com justiça. É abuso de autoridade travestido de legalidade.
A determinação chega ao cúmulo de mandar que todos os carros que saiam da casa de Bolsonaro sejam revistados e que relatórios diários sejam enviados ao Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro, um ex-presidente da República eleito por milhões de brasileiros, é tratado como um criminoso comum, submetido a humilhações que não recaíram nem sobre os maiores corruptos da história do país. Lula, condenado em três instâncias, foi descondenado e voltou ao poder; Sérgio Cabral, condenado a mais de 400 anos de prisão, desfila livre pelo Rio de Janeiro; líderes de facções criminosas foram soltos pela porta da frente, com o aval da própria Corte.
A diferença? Nenhum deles ousou desafiar o sistema. Bolsonaro ousou. E por isso paga o preço. O que se vê é um “tribunal de exceção” montado contra um só homem, em que regras constitucionais são atropeladas e garantias individuais jogadas ao lixo. O julgamento marcado para o próximo dia 2 já tem sentença anunciada: Bolsonaro será condenado, ainda que inexistam provas ou nexo de causalidade que sustentem os crimes a ele imputados.
Mais grave do que as medidas em si é o recado que elas transmitem: se um ex-presidente da República pode ser tratado como um delinquente, quem está protegido? O Brasil assiste, dia após dia, a um show de horrores jurídicos em que a mais alta corte do país rasga sua credibilidade em nome de uma vingança política.
A PGR, vale lembrar, foi contrária ao policiamento dentro da casa de Bolsonaro. Mesmo assim, Moraes avançou. A legalidade cedeu espaço à arbitrariedade, e a justiça virou palco para alimentar a fúria de um ministro.
O que está em jogo já não é Bolsonaro — é o próprio Estado de Direito. Porque, quando a lei vira arma seletiva, ninguém mais está seguro.
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