
O duplo homicídio que vitimou a comandante da GCM de Parnaíba, Penélope Brito e o vereador Thiciano Ribeiro, praticado pelo guarda municipal Francisco Fernando de Castro, chocou todo o Piauí pela frieza da execução. Mas, para além da brutalidade do crime, outro fato tem gerado polêmica: o acusado já tem um advogado. E, como não poderia ser diferente, críticas não tardaram a surgir, como se fosse um absurdo que alguém acusado de um crime mesmo considerado bárbaro pudesse ter direito a defesa técnica.
Ora, sem advogado não há Justiça. Isso não é interpretação, é Constituição Federal. O artigo 5º, inciso LV, garante a todos os acusados o direito ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Se o réu não quiser ou não puder contratar um advogado, o Estado fornece um defensor público, custeado pelo dinheiro do contribuinte. Portanto, o que se critica aqui: o direito do acusado ou o dever do advogado?
Atacar o advogado Marcos Vinícius porque aceitou o caso é confundir papéis. O advogado não defende o crime, defende o direito do criminoso a um julgamento justo, transparente e técnico. Defende para que o acusado responda exatamente pelo crime que cometeu, e não por outros que a opinião pública queira imputar-lhe. É a diferença entre Justiça e linchamento social.
Vinícius, com mais de 2 mil júris populares no currículo, foi alvo de ataques de até colegas de profissão, sob a alegação de que sustentaria a tese da “legítima defesa da honra”. Ele foi taxativo: “Nunca, jamais ventilei essa possibilidade”. E lembrou que o Supremo Tribunal Federal já a considerou incabível. “Eu não tenho tese alguma ainda. A defesa só começa a ser construída a partir da acusação, quando houver conclusão do inquérito. Isso demanda tempo”, pontuou.
O advogado também rebateu a acusação de que seu cliente seria um acumulador de armas ilegais. “Ele é guarda municipal e instrutor de tiros. Todas as armas são legais. Se quisesse ter até um fuzil, não haveria óbice legal”, disse.
A crítica mais contundente de Marcos Vinícius, porém, foi à superficialidade dos ataques: “Não sou advogado de Instagram nem de WhatsApp. Nunca fiz júri gratuito para aparecer. Nunca ataquei vítima em tribunal, pelo contrário, sempre as respeitei. Vou trabalhar com os fatos do inquérito, não com especulações”.
O caso levanta uma reflexão essencial: até o criminoso mais cruel merece defesa. Não por ele, mas pela sociedade. Sem defesa, não há julgamento justo. Sem julgamento justo, não há Justiça. E sem Justiça, sobra apenas a barbárie – a mesma que todos condenam.
CONDENADO Justiça condena escrivão a 17 anos por esquema de venda de motos apreendidas
COMIDA CARA Governo Lula recorre ao TSE contra vídeos sobre preço dos alimentos e abre debate sobre liberdade de expressão
SEGURANÇA JURÍDICA A manobra de Moraes após derrota no STF abre novo capítulo no caso do 8 de Janeiro
OPERAÇÃO VÉRNIX MP aponta Deolane como peça central de núcleo financeiro investigado por ligação com o PCC
MARIA DA PENHA Advogada alerta para risco de perda de efetividade da Lei Maria da Penha após ampliação do STF
DURA LEX SED LEX? Em busca do diferente?
LIVRE EXPRESSÃO Justiça do RN manda Meta reativar perfis bloqueados por Moraes Crianças e internet Quando a tragédia chega antes da lei A decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) de determinar preventivamente que o Discord suspenda as transmissões ao vivo no Brasil expõe um problema muito maior do que uma plataforma.
JUSTIÇA ELEITORAL Caso Flávio expõe uma questão que não pode ser ignorada: nenhum sistema informatizado é inviolável Mín. 24° Máx. 38°