
A onda conservadora avança pela América Latina e agora a esquerda boliviana sofreu sua pior derrota em uma geração. Nas eleições realizadas no domingo (17), o Movimento ao Socialismo (MAS), partido do presidente Luis Arce e do ex-presidente Evo Morales, obteve um resultado pífio: seu candidato Eduardo del Castillo conquistou apenas 3,16% dos votos, ficando muito distante do segundo turno.
A disputa presidencial será definida entre dois nomes de direita: Rodrigo Paz, senador do Partido Democrata Cristão, que liderou com 32,18%, e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, da coalizão Alianza, que garantiu 26,94%.
O resultado expõe não apenas o desgaste do MAS, mas também o fim da hegemonia de Morales e seus aliados. Mesmo com um suposto atentado no dia anterior à votação, que vitimizou o candidato esquerdista, a reação popular foi de repúdio: ele chegou a ser hostilizado e apedrejado por eleitores ao deixar a seção eleitoral.
O desempenho foi tão baixo que analistas consideram este pleito como o sepultamento político do MAS.
A derrota na Bolívia reflete o que ocorreu na Argentina, onde Javier Milei derrotou o kirchnerismo de Alberto Fernández. Outros governos de esquerda, como os da Venezuela, Nicarágua e Cuba, permanecem sob forte pressão, com economias em colapso, inflação alta e rejeição crescente da população.
No Brasil, embora Lula ainda esteja no poder, pesquisas recentes indicam desgaste significativo e polarização crescente, com setores produtivos e eleitores cansados das políticas econômicas e escândalos de corrupção. No Chile, após governos de centro-esquerda consecutivos, setores da direita também têm ganhado força em eleições municipais e parlamentares.
A combinação de crises econômicas, aumento da criminalidade e perda de apoio popular parece configurar um ciclo de queda da esquerda em toda a América Latina.
Venezuela: Maduro mantém controle firme, mas enfrenta inflação galopante, miséria e êxodo em massa.
Cuba: o regime de Díaz-Canel depende de ajuda externa e lida com fome e repressão crescente.
Nicaragua: Ortega governa com mão de ferro, mas isolado internacionalmente e sob pressão econômica.
Brasil: polarização e insatisfação popular podem fazer do governo Lula o próximo alvo de grande rejeição.
A eleição boliviana serve como alerta para toda a região: governos de esquerda que ignoram crises econômicas, corrupção e insatisfação social podem enfrentar derrotas históricas, abrindo caminho para a direita em toda a América Latina.
A questão agora é: qual será o próximo bastião da esquerda latino-americana a cair?
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