
Antes de tudo, é preciso afirmar sem rodeios: a Rússia é a nação invasora. Foi Moscou quem lançou tropas sobre a Ucrânia em fevereiro de 2022, desencadeando uma guerra que devastou cidades inteiras, arrasou infraestrutura vital — portos, refinarias, usinas — e provocou um êxodo em massa.
A Ucrânia, por sua vez, reagiu. Armou-se, resistiu e contra-atacou. Mas, três anos depois, a pergunta que ecoa é inevitável: valeu a pena? O país está em ruínas, a economia implodiu, milhões de ucranianos fugiram e milhares perderam a vida.
O presidente Volodymyr Zelensky, até aqui símbolo da resistência, pela primeira vez admitiu a possibilidade de negociar concessões territoriais à Rússia para pôr fim ao conflito.
Em Bruxelas, após encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o líder ucraniano reconheceu que “é preciso ter negociações reais” e sugeriu que a linha de frente atual poderia servir de base para um acordo de paz.
“Podemos começar por onde está a linha de frente agora”, disse Zelensky, em tom que sinaliza recuo após anos de resistência.
Dois pontos já se tornaram claros neste conflito:
O potencial bélico da Rússia não é tão absoluto quanto Putin alardeava — a dificuldade em conquistar Kiev e a demora em consolidar avanços militares expuseram falhas de Moscou.
A resposta da Ucrânia pode ter custado caro demais. A devastação econômica e social talvez tenha superado a capacidade de reconstrução do país.
A Rússia hoje mantém controle efetivo sobre as regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporíjia, Kherson e sobre a Crimeia (anexada desde 2014), além de áreas tomadas em Sumi e Kharkiv. Negociar a paz nessas condições significa legitimar a invasão e abrir mão de soberania.
Seja qual for o desfecho, o dilema é cruel: resistir indefinidamente e arriscar a destruição completa ou negociar com o invasor e carregar o estigma da rendição.
No fim das contas, o conflito deixa uma certeza amarga: a Ucrânia paga um preço altíssimo por ter sido invadida — e talvez um preço ainda maior por ter respondido militarmente a Putin.
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