
Dias após o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela validar o resultado da última eleição presidencial, que declarou Nicolás Maduro como vencedor, um membro do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) afirmou que "não recebeu nenhuma evidência" da vitória do chavista e denunciou irregularidades no processo. Juan Carlos Delpino, que fez a declaração ao *New York Times* e em um comunicado próprio, alinhou-se à retórica da oposição e de parte da comunidade internacional. Esta é a primeira grande crítica vinda de dentro do sistema eleitoral, que tem maioria chavista.
Em sua nota, divulgada na segunda-feira, Delpino reconheceu que a eleição transcorreu sem grandes problemas, mas destacou irregularidades na apuração dos votos. Ele mencionou "descumprimentos de normas e regulamentos essenciais" e criticou decisões como a data da eleição, o registro de candidatos e a ausência de observadores internacionais. Segundo ele, essas questões comprometem a legitimidade do pleito.
Delpino afirmou que os resultados deveriam ter sido enviados à Justiça Eleitoral "imediatamente após o encerramento das mesas" eleitorais, o que não ocorreu devido a um suposto ataque hacker. "Diante da falta dos boletins [de urna], da ausência do envio dos QR codes aos datacenters e da falta de uma solução efetiva para o suposto hackeamento, decidi não participar da sala de totalização dos votos e não acompanhar o anúncio do primeiro boletim", explicou em sua nota.
Além disso, Delpino relatou "vários incidentes de expulsão de testemunhas da oposição durante o fechamento das mesas". Diante dessas irregularidades, ele se recusou a estar presente no ato que ratificou o resultado anunciado pelo CNE. No mesmo dia, o candidato da oposição, Edmundo González Urrutia, foi convocado para depor no Ministério Público, mas não compareceu, alegando falta de garantias de respeito ao devido processo legal.
Delpino, um dos cinco membros do CNE, foi selecionado em agosto e visto como uma tentativa de dar equilíbrio ao órgão. Advogado e ex-membro do partido opositor Ação Democrática, ele retornou dos EUA para integrar o conselho, acreditando que a "rota eleitoral" era o caminho para a mudança. No entanto, ao constatar que o CNE declarou a vitória de Maduro sem evidências, Delpino afirmou que o órgão "falhou com o país" e expressou vergonha pelo resultado.
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