
O governo russo anunciou a restrição de chamadas de voz nos aplicativos WhatsApp e Telegram, alegando que a medida é necessária para conter fraudes financeiras e atividades relacionadas ao terrorismo. Segundo Moscou, as empresas controladoras, sediadas no exterior, ignoraram solicitações para adotar mecanismos contra o uso indevido das plataformas. Apenas ligações de voz foram afetadas; mensagens de texto, envio de mídias e outros recursos continuam disponíveis.
A decisão se soma a uma série de ações do Kremlin para ampliar o controle sobre a internet desde a invasão da Ucrânia, em 2022. Entre as medidas já adotadas estão o bloqueio de redes sociais, exigência de armazenamento local de dados e incentivo a serviços nacionais integrados ao governo. Autoridades informaram que o acesso às chamadas poderá ser restabelecido caso os aplicativos cumpram leis russas, incluindo abrir representação no país e colaborar com investigações.
Relatos da imprensa local indicam que as ligações no Telegram enfrentam falhas desde a última segunda-feira (11), enquanto as do WhatsApp apresentam cortes no áudio e ruídos. Segundo a Mediascope, o mensageiro da Meta é o mais popular no país, com cerca de 96 milhões de usuários mensais, seguido pelo Telegram, com mais de 89 milhões. A Meta afirmou que manterá a criptografia de ponta a ponta e não cederá a pressões para enfraquecer a segurança. O Telegram declarou que remove diariamente milhões de conteúdos nocivos, incluindo golpes e incitação à violência.
O endurecimento contra aplicativos estrangeiros ocorre no momento em que a Rússia lança o MAX, um mensageiro estatal desenvolvido pela empresa VK. O aplicativo, ainda em testes, integra mensagens, pagamentos e acesso a serviços públicos, e deverá vir pré-instalado em todos os celulares vendidos no país. Críticos afirmam que a plataforma pode comprometer a privacidade, já que seus termos permitem o compartilhamento de dados com autoridades. A medida reforça a política de “soberania digital” de Moscou, que inclui bloqueios seletivos e listas de sites considerados “essenciais” para manter acessos durante apagões de rede.
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