
O Supremo Tribunal Federal enfrenta um momento de tensão sem precedentes. A Corte, que empoderou execessivamente o ministro Alexandre de Moraes na condução dos inquéritos sobre o bolsonarismo, agora lida com os efeitos políticos e pessoais das decisões do magistrado — e com as sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos.
Sete ministros já tiveram seus vistos americanos cancelados e estão no radar da Lei Magnitsky Global, legislação que permite punir estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. A inclusão de Moraes na lista, no último dia 30 de julho, acendeu o alerta entre os integrantes do tribunal.
Vistos cancelados: ministros e familiares já sofrem restrições de entrada nos EUA. Há relatos de orientações para parentes evitarem viagens ao país.
Pressão velada: Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso teriam pedido cautela a Moraes em decisões recentes, como a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, tomada sem consulta à PGR ou ao plenário.
Moraes irredutível: O que se comenta nos bastidores é que o ministro mantém-se irredutível e descarta recuar.
Temor financeiro: reunião com banqueiros alertou que a Lei Magnitsky é de aplicação extraterritorial e que bancos brasileiros não podem driblá-la sem perder acesso ao sistema financeiro internacional, Swift.
Apesar de declarações públicas de apoio, pelo menos dois ministros do STF teriam pedido para Moraes 'manerar', segundo divulgou a colunista Malu Gaspar, de O Globo. Os ministros teriam avaliado que ele “foi longe demais”. Há receio de confrontá-lo diretamente, tanto para não alimentar a narrativa de pressão externa quanto por temer seu perfil combativo.
O impasse é claro: o STF não parece ter mecanismos para conter Moraes sem admitir que perdeu o controle. Enquanto isso, cresce a possibilidade de ampliação das sanções, atingindo não apenas magistrados, mas também familiares.
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