
O senador colombiano Miguel Uribe Turbay, 39 anos, morreu nesta segunda-feira (11) após não resistir aos ferimentos sofridos em um atentado durante um comício em Bogotá, em 7 de junho. Pré-candidato à Presidência em 2026 e crítico ferrenho do presidente Gustavo Petro, Uribe foi baleado na cabeça e na perna, passou por cirurgias e chegou a apresentar sinais de melhora, mas sofreu complicações graves, incluindo hemorragias intracranianas. Sua morte revive um período sombrio da política colombiana, marcado pelo assassinato de líderes e presidenciáveis nas décadas de 1980 e 1990.
A trajetória de Uribe carregava forte simbolismo. Filho da jornalista Diana Turbay, morta em 1991 durante tentativa de resgate de um sequestro ligado ao cartel de Medellín, e neto do ex-presidente Julio César Turbay Ayala (1978-1982), o senador integrava o Centro Democrático, partido de direita liderado por Álvaro Uribe. Sua atuação política começou em 2012, quando foi eleito vereador, e ganhou notoriedade ao enfrentar Gustavo Petro, então prefeito de Bogotá. A rivalidade se intensificou a ponto de, dias antes do ataque, os dois trocarem acusações públicas nas redes sociais.
O crime provocou uma onda de acusações e tensionou ainda mais o cenário político. O ex-presidente Andrés Pastrana acusou Petro de “semear ódio”, enquanto o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, responsabilizou a “retórica violenta da esquerda”. Até mesmo a chanceler Laura Sarabia, aliada de Petro, pediu o fim do discurso que incita o ódio. O presidente, inicialmente criticado por um pronunciamento considerado insensível, condenou o atentado de forma mais enfática e prometeu identificar e punir os responsáveis. Seis suspeitos foram presos, incluindo o atirador, um adolescente de 14 anos, mas o autor intelectual do crime ainda é desconhecido.
A morte de Uribe ocorreu em meio a um aumento da violência no país. Dias depois do atentado, uma série de ataques com fuzis e explosivos, incluindo carros e motos-bomba, deixou sete mortos em Cali e cidades vizinhas. A região é dominada pelo Estado-Maior Central, principal dissidência das extintas Farc, que mantém confronto aberto contra o governo. As autoridades investigam se o assassinato de Uribe foi motivado por disputas partidárias ou pela tentativa de "desestabilizar o governo Petro", que já enfrenta crises políticas e crescente polarização a um ano das eleições presidenciais.
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