
A crise institucional brasileira voltou às páginas da imprensa internacional, desta vez com um diagnóstico direto: “Um Golpe de Estado pela Suprema Corte”. A frase é da colunista Mary Anastasia O’Grady, do Wall Street Journal, que criticou duramente o STF e, em especial, o ministro Alexandre de Moraes. No artigo, O’Grady lembra que a Corte anulou a condenação por corrupção de Lula, abriu o inquérito inconstitucional das “fake news” e passou a censurar e prender opositores sem controle político. Para ela, o que se vê no Brasil é um processo de “tomada gradual do poder”, semelhante ao que Hugo Chávez fez na Venezuela.
A jornalista rejeita a narrativa de que o 8 de janeiro foi uma tentativa real de golpe. Reconhece que houve violência e vandalismo, mas ressalta que “a maioria dos envolvidos parecia ser de curiosos, sem armas, vagando pelo local” e que “nenhum soldado deixou as instalações militares”. O’Grady vê nessas acusações exageradas um instrumento para reforçar o poder judicial e sufocar a oposição. O inquérito das fake news, instaurado em 2019 pelo próprio STF, é descrito como uma violação direta aos direitos constitucionais, com o tribunal atuando simultaneamente como vítima, investigador e juiz.
A colunista também destaca movimentos de reação no Senado, onde parlamentares tentam reunir votos para o impeachment de Moraes e recuperar a imparcialidade judicial. Ela observa que até parte das elites começa a criticar “ministros embriagados pelo poder”. A recente decisão do Tesouro dos EUA de impor sanções a Moraes teria acendido um alerta na Corte, abrindo espaço para que medidas semelhantes sejam estendidas a outros ministros caso não haja mudanças. Para O’Grady, sanções internacionais e pressão legislativa são hoje as principais ferramentas para evitar a consolidação de uma ditadura judicial.
O tom do artigo é de advertência, mas também de esperança. A jornalista afirma que “ainda não é tarde para salvar o país” e sugere que a restauração do Estado de Direito passa pela responsabilização de ministros e pelo fim da censura. Enquanto isso, no Brasil, políticos que defendem sanções ou anistia são acusados de “lesa-pátria” ou “motim”. O’Grady encerra com uma provocação implícita: o verdadeiro golpe estaria diante dos olhos de todos, mas só cai nele quem quer.
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