
O anúncio de uma possível aposentadoria antecipada do ministro Luiz Roberto Barroso, atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), acendeu o sinal de alerta no meio jurídico e político de Brasília. Vaidoso, com forte ligação com o meio acadêmico e conhecido por seus posicionamentos eloquentes, Barroso ainda não completou 75 anos — idade da aposentadoria compulsória — mas já dá sinais de que pode deixar o cargo ao fim da sua presidência, em setembro.
Mas por quê? Desgaste institucional? Frustração com o clima interno da Corte? Ou há algo mais sendo oferecido nos bastidores?
Nos corredores do poder, especula-se de tudo um pouco - sobre recompensas futuras: um ministério, uma embaixada, ou mesmo uma confortável temporada na Europa — Paris, Barcelona ou até Londres. Certamente não os Estados Unidos, já que Barroso, integra a lista de sete ministros que tiveram os vistos de entrada nos EUA cancelados. E se Moraes, seu colega de toga, já é alvo direto da Lei Magnitsky, muitos em Brasília acreditam que outros ministros podem seguir o mesmo caminho.
A verdade é que Barroso se sente deslocado. A presidência lhe confere protagonismo, mas ao retornar à planície do Supremo, ele cairá inevitavelmente na 2ª Turma, ao lado de Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça — ministros com os quais não compartilha afinidades nem afinco ideológico.
Se Barroso sair, Lula indicará seu terceiro ministro ao STF em menos de três anos. Em um tribunal cada vez mais politizado, onde decisões judiciais se confundem com estratégias de poder, isso vale ouro.
Zanin e Dino já estão lá. Agora, surgem quatro cotados para a possível vaga:
Bruno Dantas, presidente do TCU, afinado com o Planalto;
Jorge Messias, ministro da AGU, próximo de Lula;
Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, figura política de peso;
Vinicius Carvalho, da CGU, discreto, mas leal.
Para Lula e a esquerda, manter maioria e controle no STF é estratégico. Afinal, o Supremo já barrou opositores, prendeu ex-presidente, cassou parlamentares, impôs censuras e foi linha de frente contra o bolsonarismo. É um “guarda-chuva jurídico” vital para o projeto de permanência no poder.
Nos bastidores, o clima é tenso. Cinco ministros já expressaram incômodo com os métodos de Alexandre de Moraes. A prisão domiciliar de Bolsonaro, sem julgamento concluído, foi vista como precipitada. Moraes, apesar do silêncio institucional dos colegas, está isolado — e é apontado como responsável direto por colocar o STF na mira das sanções internacionais.
Por enquanto, apenas Moraes foi atingido diretamente pela Lei Magnitsky. Mas a expectativa dentro e fora do Brasil é de que novos nomes possam ser incluídos, o que significaria o isolamento internacional de parte da mais alta Corte do país. Para quem vive do prestígio e do acesso global, isso é o equivalente a uma morte civilizada.
Barroso, ao que parece, quer sair antes de afundar com o barco. Ou já está embarcando em outro. Mas sua saída, voluntária ou não, será decisiva para o futuro da Corte — e para os rumos da democracia brasileira.
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