
O presidente Jair Bolsonaro recebeu um golpe político-judicial considerado mais duro que a facada desferida por Adélio Bispo em 2018. Desta vez, não há sangue, mas há confinamento: Bolsonaro está preso dentro da própria casa, em Brasília, submetido a rígidas restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal - STF.
O despacho do ministro determina que o ex-presidente cumpra prisão domiciliar em seu endereço no Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, monitorado por tornozeleira eletrônica e sob proibição total de comunicação pública.
Uso de tornozeleira eletrônica.
Proibição absoluta de usar celular. A Polícia Federal apreendeu o aparelho do ex-presidente e recolheu todos os dispositivos presentes em sua residência.
Proibição de visitas. Apenas advogados podem acessá-lo, mediante autorização do STF. Qualquer outro visitante precisa de liberação expressa da Corte.
Controle rígido de visitas autorizadas. Mesmo quem entrar na casa está proibido de usar celular, tirar fotos ou gravar imagens.
Proibição de contato com outros investigados em inquéritos relacionados.
Na prática, Bolsonaro encontra-se isolado e impossibilitado de se comunicar até mesmo com familiares, como o deputado Eduardo Bolsonaro, que está exilado nos Estados Unidos. Numa espécie de "solitária" domiciliar.
Moraes justificou a decisão afirmando que Bolsonaro violou deliberadamente medidas cautelares anteriormente impostas, ao se comunicar com apoiadores em atos políticos e utilizar redes sociais de aliados para transmitir mensagens contra o STF.
Entre os episódios destacados na decisão:
Vídeo enviado a apoiadores durante ato pró-anistia em Copacabana, publicado (e depois apagado) por seu filho Flávio Bolsonaro.
Chamada de vídeo com o deputado Nikolas Ferreira (PL/MG), considerada quebra explícita das restrições.
Uso de perfis de aliados, incluindo os três filhos parlamentares, para difundir mensagens que, segundo Moraes, incentivam ataques ao Judiciário e defendem intervenção estrangeira.
Antes da prisão domiciliar, Bolsonaro já estava submetido a:
Uso de tornozeleira eletrônica.
Proibição de sair de casa à noite e nos fins de semana.
Proibição de usar redes sociais de forma direta ou indireta.
Moraes alertou que qualquer novo descumprimento resultará na prisão preventiva imediata. Em seu despacho, o ministro afirmou:
“A Justiça é cega, mas não é tola. Não permitirá que um réu a faça de tola, achando que ficará impune por ter poder político e econômico”.
Assim, Bolsonaro, que governou o país de 2019 a 2022, cumpre hoje uma prisão inédita e polêmica, acusado de burlar ordens judiciais sem sequer ter sido condenado.
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