
O empresário do setor de veículos usados, Eliésio Marinho da Silva, viu sua situação se complicar ainda mais após ser pronunciado pela Justiça para ir a Júri Popular, acusado de assassinar a própria esposa, Kamila Carvalho do Nascimento, em outubro de 2023, em Teresina.
Kamila, jovem esposa de Eliésio, foi morta em circunstâncias que, segundo o Ministério Público e a Justiça, apontam para um crime de feminicídio cometido em ambiente de violência doméstica. Ela deixou familiares em choque com a brutalidade do caso.
De acordo com a denúncia, Eliésio teria agido por motivo torpe, eliminando a esposa em razão de desavenças conjugais e dentro de uma dinâmica de poder e controle marcada por agressões psicológicas e físicas.
Apesar da gravidade da acusação, Eliésio respondia em liberdade desde a fase inicial da investigação, sob medidas cautelares impostas pela Justiça, como a proibição de contato com a filha, a irmã e o pai da vítima, além da restrição de não se ausentar da comarca de Teresina. Foi apenas na última semana que ele voltou à prisão, mas não pelo feminicídio, e sim por outro crime: lavagem de dinheiro para a facção criminosa Bonde dos 40, alvo da Operação Capital Oculto.
A decisão da juíza Maria Zilnar Coutinho Leal, da 2ª Vara do Tribunal Popular do Júri, descreve que Eliésio teria utilizado meios que dificultaram a defesa de Kamila, surpreendendo a vítima e impossibilitando qualquer reação. Além do homicídio, ele também responderá por fraude processual e posse ilegal de arma de fogo.
Se condenado por todos os crimes, Eliésio Marinho pode enfrentar pena superior a 30 anos de prisão, somando-se a qualificadora do feminicídio e os delitos conexos.
Na sentença proferida em 16 de junho de 2025, a magistrada destacou a materialidade do crime e os indícios suficientes de autoria, elementos que obrigam a submissão do caso ao crivo do Júri Popular. Para a juíza, há provas robustas de que o crime foi praticado com motivação torpe, mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima e em contexto de violência doméstica — o que caracteriza feminicídio.
Na Operação Capital Oculto, deflagrada pelo DENARC, Eliésio foi preso acusado de atuar como “lavador de dinheiro” da facção Bonde dos 40. Em suas lojas de veículos, a polícia apreendeu mais de 30 automóveis, supostamente utilizados para mascarar movimentações financeiras do crime organizado.
O principal alvo da operação foi Alandilson Cardoso Passos, namorado da vereadora de Teresina Tatiana Medeiros, apontado como líder do núcleo criminoso. Ele está preso em Minas Gerais desde novembro de 2024.
O caso Eliésio Marinho expõe, ao mesmo tempo, duas chagas que corroem a sociedade brasileira:
A violência de gênero, que vitima diariamente mulheres em todas as regiões do país.
A simbiose entre criminalidade organizada e setores empresariais, que usam fachadas “respeitáveis” para movimentar bilhões em dinheiro sujo.
Em suma, um empresário que deveria ser exemplo de progresso e geração de empregos se vê agora no banco dos réus, acusado de feminicídio e de servir como caixa de uma das facções mais temidas do Nordeste. Eliésio mancha a imagem de um setor formado em sua grande maioria por empreendedores natos que buscam empreender de forma honesta.
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