
O gesto obsceno feito pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante o clássico Corinthians x Palmeiras, na Neo Química Arena, ainda repercute. Vaiado ao aparecer no telão do estádio, Moraes respondeu com o dedo do meio levantado à multidão. A cena, longe de ser um boato, foi confirmada por imagens em alta qualidade — e, como diz a internet, “a Nossa Senhora dos Prints não perdoa”.
Se dentro do STF, no governo e na esquerda em geral, o episódio foi tratado com silêncio absoluto, o mesmo não ocorreu com o ex-ministro da Corte Marco Aurélio Mello. Conhecido por não economizar críticas, Marco Aurélio disse que “mal acreditou” nas imagens e chegou a desconfiar de montagem.
“Quando vi, pensei que fosse fake news. Não achei que ele fosse capaz de praticar um gesto que todos sabemos ser obsceno”, afirmou em entrevista ao jornalista Claudio Dantas.
O ministro aposentado foi além e questionou a mudança de postura dos atuais integrantes da Suprema Corte, lembrando o famoso episódio em que o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, rebateu um manifestante com a frase: “Perdeu, mané”. Para Marco Aurélio, aquilo já havia sido um “excesso ímpar”, agora agravado por Moraes.
“Precisaríamos fechar o país para corrigir os rumos, tamanha a deterioração da liturgia dos cargos”, ironizou.
Curiosamente, o gesto de Moraes ocorreu no mesmo dia em que ele foi incluído na lista de sancionados pela Lei Global Magnitsky, dos Estados Unidos — medida que congela bens e impede o acesso ao sistema financeiro norte-americano, sob acusação de violações a direitos humanos. A coincidência entre o “dedo no estádio” e as sanções internacionais apenas reforçou o tom de escândalo e abriu mais uma frente de desgaste para a imagem do ministro e de sobra o próprio STF.
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