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Justiça O DILEMA MORAES

Moraes: de guardião do poder a peso morto — e agora, Lula?

O ministro que já foi algoz do PT virou peça-chave da esquerda, mas caiu na “morte financeira” dos EUA e virou pária internacional. O problema? Sabe demais para ser descartado e custa caro demais para ser mantido

31/07/2025 às 18h37 Atualizada em 31/07/2025 às 19h01
Por: Douglas Ferreira
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Os problemas de Moraes são também problemas de Lula e do Brasil - Foto: Reprodução
Os problemas de Moraes são também problemas de Lula e do Brasil - Foto: Reprodução

O que fazer com Moraes? A sinuca de bico da esquerda

A história política brasileira tem dessas ironias cruéis. Alexandre de Moraes, que já foi um crítico feroz dos governos petistas e do próprio Lula, virou — pasmem — a peça central do projeto de poder da esquerda. De algoz a aliado, de perseguidor a guardião. Mas eis o problema: o ministro extrapolou todos os limites. Cometeu tantos abusos quanto aqueles que dizia combater. E pior, perdeu o pouco de credibilidade que lhe restava. Hoje, é visto como um inimigo público não só no Brasil, mas também fora dele.

Nos Estados Unidos, Moraes já é "persona non grata". Caiu sob as garras da Lei Magnitsky, que lhe decretou a chamada “morte financeira”: sem bancos americanos, sem acesso ao sistema financeiro global, sem redes sociais, sem sequer um e-mail oficial. Trump, com sua caneta presidencial, praticamente baniu Moraes da vida civilizada, impondo-lhe uma espécie de 'tornozeleira moral'. Até aí, tudo bem — diriam alguns ministros do STF, entre um cálice e outro, entre um camarão e uma lagosta: “ainda nos resta Paris”. Será mesmo?

A União Europeia já avalia seguir o mesmo caminho de Washington e também sancionar Moraes. E se isso acontecer, a quem o ministro recorrerá? Ao Chapolin Colorado? Nem pensar. Até os hermanos das ditaduras latino-americanas, as "repúblicas bananeiras", já estão penalizados pelos americanos. A cada sanção, o espaço do ministro se estreita, e sua relevância internacional evapora.

Mas o verdadeiro dilema não está na biografia de Moraes. Não. Claro que não. Está no colo de Lula e da esquerda. O que fazer com ele? Manter um aliado incômodo, que sabe demais, que tem meio Congresso e o governo nas mãos? Ou sacrificá-lo em nome de uma reconciliação com os EUA, que já retaliaram o Brasil com um tarifaço de 50% sobre os produtos nacionais? 

É a clássica sinuca de bico. Moraes não é descartável. É um cofre vivo, abarrotado de segredos. Ao mesmo tempo, tornou-se um fardo pesado demais para ser carregado. E pode levar o Brasil à "bancarrota". 

A questão não é se, mas quando a esquerda terá de enfrentar o “problema Moraes”. E aí, caro leitor, vale a pergunta que ecoa nos bastidores de Brasília: quem vai pagar essa conta?

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