
Um possível escândalo internacional envolvendo o Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) dos Estados Unidos ganhou destaque no último domingo (27), após a publicação de um artigo explosivo no Wall Street Journal. A colunista Mary Anastasia O’Grady revelou que o sistema oficial da alfândega norte-americana, em Orlando, exibiu por duas vezes um documento de entrada falso nos EUA em nome de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro. O registro forjado teria sido usado como base para mantê-lo preso por seis meses e, desde então, em prisão domiciliar no Brasil, por ordem do ministro Alexandre de Moraes.
O documento — um I-94 eletrônico — apareceu pela primeira vez em março de 2024, com data retroativa de 30 de dezembro de 2022, e foi removido em junho após questionamentos da defesa. No entanto, reapareceu no sistema em julho de 2025 com os mesmos erros: nome grafado como “Felipe” e número de passaporte perdido desde 2021. A defesa de Martins, que já entrou com ações contra o CBP e o Departamento de Segurança Interna (DHS), exige acesso aos registros completos para identificar quem criou a falsa entrada — o que até agora vem sendo negado sob alegação de “litígio pendente”.
O’Grady sugere que a inserção do dado fraudulento pode ter sido feita por alguém dentro do CBP, a serviço de interesses políticos brasileiros contrários a Bolsonaro. “Não há razão americana para inventar uma viagem que não aconteceu”, escreveu a colunista. Para ela, o caso levanta uma pergunta incômoda: “o que é pior, o crime ou o encobrimento?”. A jornalista também destaca que, mesmo após a retirada do registro do sistema, Moraes manteve a detenção de Martins com base nesse dado, ainda acessível na seção informal de “histórico de viagens” do site da agência.
Além das falhas no registro, o artigo ressalta a fragilidade das provas contra Bolsonaro, baseadas em delações supostamente obtidas sob pressão. O próprio Filipe Martins afirmou em audiência recente que foi submetido a condições desumanas para que delatasse o ex-presidente. A reportagem ainda menciona um áudio vazado de Mauro Cid, testemunha-chave, em que ele se queixa de ter sido coagido. O episódio, se confirmado, pode comprometer a imagem do ministro Moraes no exterior e acender um novo alerta sobre o uso político de instituições judiciais brasileiras.
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