
O setor de alimentação fora do lar — que inclui bares, restaurantes, lanchonetes e padarias — pode enfrentar um aumento médio de até 10% nos preços das refeições nas próximas semanas. O motivo é o chamado “tarifaço” anunciado pelos Estados Unidos, que impõe uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros exportados ao país, como café, carnes, pescados e suco de laranja.
A medida, que entra em vigor em 1º de agosto, pode afetar diretamente o abastecimento e o custo desses insumos no mercado interno, pressionando os preços ao consumidor final.
De acordo com a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp), os efeitos da nova tarifa podem ser sentidos rapidamente, principalmente nos estabelecimentos que trabalham com ingredientes afetados pelas restrições.
“Estamos falando de produtos muito presentes nos cardápios brasileiros, como carne bovina, sucos naturais e café. Se os produtores perderem competitividade no mercado externo, esses alimentos devem ser redirecionados ao mercado interno, encarecendo os preços”, explica o diretor-executivo da Fhoresp, Edson Pinto.
A tarifa atinge diretamente commodities agrícolas exportadas pelo Brasil, como:
Carne bovina e suína
Peixes e frutos do mar
Café em grão
Suco de laranja
Com a perda de competitividade desses produtos nos Estados Unidos, a tendência é que haja excesso de oferta no Brasil. A consequência, segundo especialistas, será a pressão de custos sobre o setor de alimentação fora do lar, que já vem enfrentando reajustes em outras áreas, como energia, frete e insumos diversos.
Além da nova tarifa, a recente alta do dólar também contribui para o aumento dos custos operacionais. Desde o anúncio da medida, a moeda norte-americana subiu de R$ 5,40 para R$ 5,70, elevando ainda mais o preço de insumos importados e de produtos dolarizados.
Diante da situação, a Fhoresp defende uma atuação mais firme do governo brasileiro, com medidas diplomáticas e comerciais que busquem reverter a sobretaxa ou amenizar seus impactos.
“O setor de alimentação emprega milhões de brasileiros e já sofreu muito nos últimos anos. Precisamos de articulação e apoio para evitar que mais esse golpe afete empresas e consumidores”, afirmou Edson Pinto.
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