
Se Alexandre de Moraes achava que os holofotes internacionais seriam apenas para seus discursos sobre “democracia e institucionalidade”, errou por muito. Agora, quem está discursando - e em tom grave - é o governo americano.
Darren Beattie, subsecretário de Diplomacia Pública do Departamento de Estado dos EUA, não poupou palavras: acusou o ministro do STF de liderar um “complexo de perseguição e censura” contra Jair Bolsonaro. E mais: afirmou que os EUA estão “tomando medidas”. Traduzindo do diplomata para o português claro: o cerco subiu de nível.
Embora Donald Trump mantenha um silêncio estratégico, seu entorno está em plena atividade. Beattie não fala à toa. Muito menos Marco Rubio, senador e agora chefe do Departamento de Estado sob Trump, que anunciou a revogação de vistos de Moraes, seus aliados e familiares.
A justificativa? Segundo Rubio, Moraes não apenas persegue Bolsonaro, mas estende sua influência autoritária para além das fronteiras brasileiras, afetando liberdades também em solo americano.
É, parece que o Brasil virou exportador de censura.
Beattie afirmou que “estamos atentos e tomando medidas”. Mas que medidas são essas? Militares? Improvável. Diplomáticas? Quase certo. Econômicas? Talvez.
Imagine sanções direcionadas, congelamento de bens, investigações financeiras de autoridades brasileiras em solo americano. Ou, no mínimo, isolamento diplomático gradual - o tipo de coisa que tira o sono de quem gosta de dar palestras em Harvard e passar férias em Miami.
E se for mais longe? Cortes de cooperação tecnológica, vetos em acordos bilaterais ou até bloqueio de movimentações internacionais de autoridades sob suspeita. Um filme que o Brasil já viu... só que em outros continentes.
Até agora, o governo brasileiro não moveu um músculo. Nenhuma nota oficial, nenhuma coletiva, nenhum gesto de distensão. Lula parece ignorar o incêndio, como quem acha que o calor está só na varanda. Mas se não agir rápido, pode ver as chamas atingirem a sala de visitas da diplomacia brasileira.
E o pior: em meio à crise, ainda corre o risco de virar cúmplice, aos olhos da comunidade internacional, de uma possível escalada autoritária protagonizada por um ministro de toga e ego inflado.
O Brasil já tinha virado meme com decisões de Moraes sobre bloqueios de redes sociais, prisões prévias sem processo e censura de postagens. Mas agora, deixou de ser piada interna. Virou caso de política internacional.
Se for mesmo verdade que o STF virou partido político, como dizem os críticos, então é justo dizer que os EUA acabaram de lançar a oposição internacional.
Preparem-se: essa novela ainda vai render capítulos tensos, talvez até com embargo.
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