
Enquanto o governo Lula ainda estende tapete vermelho para Nicolás Maduro, Daniel Ortega e Cristina Kirchner, a diplomacia americana não tem papas na língua: para Washington, bandido é bandido, e ditador é ditador.
A revogação dos vistos dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Flávio Dino e outros cinco magistrados brasileiros apenas reforça um padrão bem conhecido dos EUA na América Latina: punir quem sufoca a democracia sob o pretexto de “defendê-la”.
Os exemplos são claros — e vergonhosos para quem se diz “democrata”:
Maikel Moreno, presidente do Tribunal Supremo da Venezuela, teve seus bens congelados e seu visto revogado em 2017 após rasgar a autoridade do Parlamento eleito e ajudar Maduro a manter-se no poder sem eleições.
Nicolás Maduro, acusado de narcoterrorismo pelo Departamento de Justiça dos EUA desde 2020, com recompensa milionária por sua captura, está banido de mais de dez países, incluindo EUA, por transformar a Venezuela num narcoestado violento.
Daniel Ortega, da Nicarágua, teve sua entrada e a de sua mulher proibidas por Biden em 2021, após manipular eleições, prender opositores e ampliar a repressão. Este ano, mais 250 integrantes do regime sandinista também foram barrados.
Cristina Kirchner, ex-presidente da Argentina, está impedida de entrar nos EUA desde março, por corrupção bilionária comprovada na Justiça de seu país, no escândalo das obras públicas de Santa Cruz.
Para diplomatas americanos, a escalada judicial contra Jair Bolsonaro, a censura explícita a opositores, prisões sem trânsito em julgado e a perseguição política patrocinada pelo STF e PGR são incompatíveis com os valores democráticos que os EUA alegam defender.
A decisão de revogar vistos de ministros brasileiros partiu da Casa Branca no último sábado (19/7), em reação às medidas autoritárias, como o uso de tornozeleira contra um ex-presidente e a proibição de ele se comunicar com aliados ou até dar entrevistas.
Os ministros brasileiros ainda não enfrentam processos criminais formais, mas já carregam a pecha diplomática de abuso de poder judicial, censura política e violação de direitos civis. A visão americana é clara: quem age para destruir as garantias democráticas não merece trânsito livre nos EUA.
Para os ministros, a perda do visto americano significa não só a humilhação pessoal e o isolamento internacional, mas também um recado direto à sua credibilidade como “árbitros” democráticos.
Para o Brasil, é um alerta brutal: mesmo que o Palácio do Planalto insista em defender os excessos do STF em nome do “combate ao golpismo”, o mundo já percebe que por trás da toga há mais autoritarismo do que justiça.
E a pergunta que fica é: até quando os brasileiros aceitarão que os mesmos padrões reservados aos ditadores venezuelanos, nicaraguenses e argentinos agora sejam aplicados à “Suprema Corte” de um país que ainda se diz livre?
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