
O governo dos Estados Unidos decidiu cancelar os vistos de entrada de oito dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), medida que também atinge seus familiares. Apenas Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e André Mendonça permanecerão com “passe livre” para viajar aos EUA, incluindo férias, palestras e compras.
Entre os três que mantêm o visto, destacam-se os dois indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro — Mendonça e Nunes Marques — além de Fux, que tem feito críticas pontuais às decisões mais duras contra apoiadores do ex-presidente.
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora considerado “persona non grata” em Israel, seguirá autorizado a desembarcar em solo americano, acompanhado da primeira-dama, Janja da Silva.
O cancelamento dos vistos foi anunciado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, como retaliação à decisão do ministro Alexandre de Moraes de impor uma tornozeleira eletrônica ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida também foi estendida a familiares dos ministros afetados.
Estão na lista:
Alexandre de Moraes
Luís Roberto Barroso
Dias Toffoli
Cristiano Zanin
Flávio Dino
Cármen Lúcia
Edson Fachin
Gilmar Mendes
Segundo a justificativa oficial da Casa Branca, as pessoas atingidas se enquadram em “situação que possivelmente teria consequências adversas e graves para a política externa dos EUA”.
À exceção de Gilmar Mendes (nomeado por Fernando Henrique Cardoso) e Alexandre de Moraes (por Michel Temer), todos os demais ministros da lista foram indicados por governos petistas.
O grupo que perdeu o direito de entrada nos EUA também votou majoritariamente a favor de mudanças na regulação de plataformas digitais — tema considerado sensível para Trump, crítico de qualquer regulação sobre liberdade de expressão.
A ministra das Relações Institucionais do governo Lula, Gleisi Hoffmann, reagiu à decisão do governo americano, mas ainda não houve posicionamento formal do STF.
A medida integra uma escalada de tensões diplomáticas entre os governos Trump e Lula, acentuada pela condução de processos judiciais contra Bolsonaro no Brasil, interpretados pelo ex-presidente americano como uma “caça às bruxas política”.
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