
O governo Donald Trump parece ter abraçado de vez a causa da liberdade e da democracia brasileira. O jornalista Oswaldo Eustáquio, autoexilado em Madri, na Espanha, após ser preso, torturado e confinado a uma cadeira de rodas, anunciou ter recebido um visto americano, que lhe permitirá estabelecer-se nos Estados Unidos.
Chamado de “blogueiro” pela grande mídia, numa tentativa de desqualificá-lo, Eustáquio se tornou símbolo de resistência. Desde 2023, vive em Madri para escapar do que considera perseguição judicial no Brasil. Nesse período, publicou livros, artigos e vídeos denunciando as arbitrariedades do Judiciário brasileiro - especialmente do Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, poderá continuar sua cruzada pela liberdade de imprensa e de opinião em solo americano, em condições normais.
Eustáquio foi alvo de pedidos insistentes de extradição feitos pelo ministro Alexandre de Moraes ao governo espanhol, todos negados. A Justiça da Espanha rejeitou o último recurso brasileiro em junho, sob o argumento de que havia motivação política para as acusações e porque a legislação espanhola não prevê crimes como “tentativa de abolição do Estado democrático de direito”.
No Brasil, ele é investigado pelo STF por supostos crimes de ameaça, perseguição, incitação ao crime, associação criminosa e tentativa de golpe de Estado. Eustáquio nega todas as acusações, alegando ser vítima de perseguição política.
Segundo seu advogado, Ricardo Vasconcellos, o visto foi concedido em outubro de 2024, ainda durante a gestão Biden, mas a emissão havia sido adiada até que Trump assumisse a presidência. “A expedição foi feita ontem. Ele está feliz por ter mais um aliado, os Estados Unidos”, afirmou Vasconcellos.
Embora pretenda permanecer em Madri por ora, onde sua liberdade de expressão está assegurada, Eustáquio cogita abrir um canal de notícias nos EUA no futuro, segundo o advogado.
O visto chega em meio às sanções do governo americano contra autoridades brasileiras, após as medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro pelo STF — como tornozeleira eletrônica e restrição de redes sociais. Ontem, os EUA revogaram os vistos do procurador-geral Paulo Gonet e de ministros do STF (com exceção de André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques).
Eustáquio não é o único jornalista brasileiro a buscar refúgio fora do país para escapar do que considera perseguições político-judiciais. Ele se soma a um grupo de profissionais da imprensa que preferiu o exílio à prisão, reforçando um cenário preocupante para a liberdade de expressão no Brasil.
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