
O Brasil sofreu uma dura derrota diplomática na última sexta-feira (11) ao perder a disputa por uma vaga na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA). O mexicano José Luis Caballero Ochoa venceu com folga, recebendo 23 votos, contra apenas 3 do brasileiro Fábio Sá e Silva. Cinco países optaram por se abster, e o governo Lula acabou recuando discretamente da disputa, em meio à pressão internacional e articulações diplomáticas que expuseram o enfraquecimento da imagem brasileira.
A candidatura de Sá e Silva, professor da Universidade de Oklahoma e vinculado ao Ipea, havia sido anunciada como uma aposta progressista. No entanto, apesar do apoio público do Palácio do Planalto, diplomatas brasileiros e setores do Itamaraty trabalharam para esvaziar a campanha e buscar um consenso com o México, demonstrando falta de coesão e convicção na política externa do governo.
Nos bastidores de Brasília, a retirada da candidatura foi duramente criticada. Deputados e senadores alertaram para o risco de o Brasil perder espaço num momento estratégico, sobretudo diante da crescente influência da direita latino-americana e do avanço de aliados do trumpismo na OEA — como a ativista cubana Rosa María Payá, recentemente eleita para a CIDH com apoio de figuras como o senador Marco Rubio.
A derrota ocorre num contexto em que o Brasil tem se aproximado de regimes autoritários e feito vistas grossas para violações de direitos humanos em países como Nicarágua, Venezuela e Cuba. O recuo do país reforça a percepção de isolamento internacional e perda de protagonismo democrático, tornando o Brasil, cada vez mais, um pária entre as nações comprometidas com os valores fundamentais da liberdade e da justiça.
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